silencio as palavras planto-as algures no canto mais luminoso do jardim que tenho para esse fim (o fundo do bolso) hoje não é dia de abrir janelas nem de as deixar voar quero-as todas para mim e ficar assim em silêncio a pensar tão somente porque sim
poesia
postais do arroz (16)
crónicas da xávega (489)
sê grato às portas que te abrem e às que te fecham também ser de todos é não ser de ninguém de ti primeiro que todos quiseste ser fizeste-te dizendo não calando disseste presente ao mau tempo sê grato às portas que se fecham e às que te abrem és tu em todas sê grato à diferença como o vento despenteia as ondas
postais da ria (405)
os moliceiros têm vela (472)
postais do arroz (15)
crónicas da xávega (488)
postais da ria (404)
infinitas manhãs
infinitas manhãs de gestos suspensos no vazio de não haver tecto infinitas manhãs de impiedosas mãos desfiguradas num enclavinhar de dedos na lisura das paredes infinitas manhãs de doridos olhos encovados na palidez do rosto arrastando-se fundos pelo dia imposto infinitas manhãs porque não me deixais dormir

os moliceiros têm vela (471)
da natureza e do amor
era manhã muito cedo ainda ensonado o sol recusava-se a rir a névoa que cobria os campos era um véu tímido que lhe tapava os lábios lentamente o dia espreguiçou-se, bocejou iniciou o ritual do levantar escondido atrás de uma erva pequenina a tudo assistia estupefacto no momento em que chegaste vinhas de muito longe poisada numa folha verde trazida pelo vento gelado da manhã eras nova no prado ninguém te conhecia para mim sorriste e as outras abelhas invejaram-me a companhia












