escrevo o tempo com imagens
guardadas nos baús digitais
da memória comprada
a informação diz-me o quando
eu sei onde ainda sei
quando tudo foi ontem e ontem
foi há tanto tempo
sei deste caminho feito
de achares e perderes
sei que valeu a pena
homens que conheci para desconhecer
o tempo tudo limpa e lava
mesmo o que mais fundo à superfície vem
escrevo o tempo com imagens
como todos os que arriscam palavras
escrevo-me também e isso não é novo
para ninguém
agostinho trabalhito (canhoto); torreira; 2 de setembro de 2016
como já escrevi na primeira publicação desta série, a minha era digital na xávega começou em 2005 e, na torreira, por motivos vários, terminou no dia 2 de setembro de 2016 – doze anos a registar fotográficamente, e não só, a xávega na torreira
a foto que publico hoje é a “última foto que fiz no mar da torreira”.
como não acredito em coincidências, entendo que o facto de nela aparecer o meu grande amigo agostinho trabalhito “canhoto” não é acaso, tinha de ser.
lembro uma história breve da nossa amizade e que diz tudo.
“um dia, disse-lhe que quando morresse as minhas cinzas iriam ser deitadas ao mar. ao ouvir isto o agostinho, com a maneira de falar que o caracteriza, exclamou:
vêm de longe
trazem nos olhos a limpidez
da ria antiga
homens inteiros
fogem das ribaltas
que outros buscam
a qualquer preço
escondem-se para serem
o que sempre foram
são eles serão sempre eles
as minhas raízes