as mãos ainda

falo ainda das mãos quando tas dou em silêncio do silêncio mais íntimo onde mãos com mãos se dizem o que palavras jamais falo ainda das mãos falarei sempre condenação de as ter
ninguém mata o que foi

guardo o tempo no fundo dos olhos decoro com palavras as imagens nascem rostos nomes aconteceres não invento passados para ser hoje caminho leve de ter sido porque inteiro sou o que o tempo conta não o que contam abraço o sol e a noite os dias cheios ninguém mata o que foi
dez anos

dez anos é muito tempo ou foi ontem
o silêncio é uma vela

começas a escrever os dias a repetir a palavra ontem cada dia mais vazia de vida mais cheia de memória em ti habitam os que partiram em ti se demoram no sobrevoar da ria tão deles olhas como te ensinaram e lembras os nomes os rostos ainda ouves as vozes o silêncio é um barco e tu a vela que o tempo enche
era uma vez

na bica da proa o sonho navegou ria fora velas enfunadas brancas sempre brancas poiso de palavras de desejos branca a espuma à ré marca de nada mais também eu

chama-se dinis

para quem não conhece, nas festas do s. paio da torreira realizam-se sempre duas regatas à vela ( moliceiros e bateiras) e uma corrida a remos (chinchorros)
este ano a bateira chinchorra vencedora foi a “dinis”.
a estrear, foi feita pelo mestre zé rito, para o neto zé pedro, que lhe deu o nome do irmão, dinis.
na foto vê-se, de pé e em tronco nu, o pai do zé pedro e do dinis, alfredo miranda.
para todos os meus parabéns e um abraço
mortal

cresço no tempo de onde vou lentamente partindo solares estes dias lágrima retida desilusão sonho parto e fico é perigoso estar vivo mais perigoso respirar mortal falar
aos amigos

a alegria de estar na ria com os amigos e assistir ao espectáculo das regatas, é um acontecimento que não perco, que não perderei enquanto puder.
o agradecimento ao quim calmaria pela forma como está sempre pronto para mais uma regata e o saber “o que os fotógrafos querem”. boa safra nos mares do norte, quim
ao jim por ter “estado de prontidão” com a sua chata, para o caso de aparecerem amigos à última da hora e que quisessem acompanhar a regata no meio da ria.
ao jorge bacelar, ao silva tavares, à isabel lobo e ao pedro (que vieram de lisboa e do porto, de propósito), pela alegria de estarmos juntos e acontecer fotografia
ao amigo que, do paredão, quando viu chegar a chata, gritou “ah gorim!” – há quantos anos não se ouvia este grito na ria…
haja saúde e para o ano lá estaremos
raízes

vêm de longe trazem nos olhos a limpidez da ria antiga homens inteiros fogem das ribaltas que outros buscam a qualquer preço escondem-se para serem o que sempre foram são eles serão sempre eles as minhas raízes

torreira; regata s. paio; 2010

torreira; regata s. paio; 2010