assim
na leira das palavras esgotou-se a terra cansada seca entre ser e dizer um deserto mal povoado fraca a seara onde suor tanto aos pardais as sementes satisfazem pouco é muito
caminho andado
caminho descalço pelos dias de estar aqui olhos abertos como mãos em tempo de fruta madura caminho descalço dorido de tantos cacos pedras vidros pregos recuso o conforto da cegueira auto imposta felicidade falsa de luas inventadas doem-me os olhos de ser

bom ano

queria falar-te dos dias do tempo cortado às fatias invenção dos filósofos padeiros que pão inteiro era coisa de povo queria falar-te dos anos e outros pedaços maiores do tempo que nem esse para todos igual é falo-te da fome da doença da miséria de como crescem longe e perto escondidos ou mostrados consoante a notícia o exige não o ser homem queria falar-te dos dias quando o ano está a acabar e dizer-te que tudo está diferente e tudo ficou na mesma queria dizer-te que não mudei sou eu o mesmo de sempre desde que comecei a ser quem sou a ter o meu tamanho queria dizer-te que podes contar comigo quando os braços se juntam e é justa a causa queria dizer-te que não estou a teu lado nem calarei a mentira a injustiça o cinismo oiço bem vejo bem sei o que quero bom ano