o mar
o mar é um rio com uma só margem
amizade
(para o mirco bompignano)
não há mar que nos aparte nem terra que barreira seja caminhei por sobre a ria ao encontro do mar e o inverso que caminho também o era não há mar que nos aparte nem terra que barreira seja o sentir vai e vem por onde caminhar pode sem saber de outro destino que o encontro não há mar que nos aparte nem terra que barreira seja apenas uma palavra percorre estes dias e é amizade
ninguém mata o que foi

guardo o tempo no fundo dos olhos decoro com palavras as imagens nascem rostos nomes aconteceres não invento passados para ser hoje caminho leve de ter sido porque inteiro sou o que o tempo conta não o que contam abraço o sol e a noite os dias cheios ninguém mata o que foi
dez anos

dez anos é muito tempo ou foi ontem
o silêncio é uma vela

começas a escrever os dias a repetir a palavra ontem cada dia mais vazia de vida mais cheia de memória em ti habitam os que partiram em ti se demoram no sobrevoar da ria tão deles olhas como te ensinaram e lembras os nomes os rostos ainda ouves as vozes o silêncio é um barco e tu a vela que o tempo enche
era uma vez

na bica da proa o sonho navegou ria fora velas enfunadas brancas sempre brancas poiso de palavras de desejos branca a espuma à ré marca de nada mais também eu
