quando tudo arde

achegar
quando tudo arde
salgam-se as terras
de cinzas
a beleza do sal
é memória
de dias solares
límpidos
toma-a
(armazéns de lavos; figueira da foz; 2017)
quando tudo arde

achegar
quando tudo arde
salgam-se as terras
de cinzas
a beleza do sal
é memória
de dias solares
límpidos
toma-a
(armazéns de lavos; figueira da foz; 2017)
não há ciências exactas

rer
exacto o que vejo
exacto o que sinto
exactos estes dias
por onde arrasto o corpo
não há ciências exactas
exacto o momento
em que escrevo a dor
exacto o sorriso
no rosto da criança
exacto estar aqui ainda
exacta a lágrima
exactas estas palavras
toma-as e faz com elas
o exacto instante
em que tudo é possível
eu vou por aí
em busca de outro final
(armazéns de lavos; rer; 2017)
dos sal e dos amigos

achegar
os amigos
digo
são o tempero dos dias
há-os porém
que de tão salgados
só fazem mal
(armazéns de lavos; 2017)
novidade

paulo formiga a “rer o talho”
nada do que me acontece
é novo
novidade
é ser comigo
(armazéns de lavos; rer; 2017)
as minhas raízes

o licínio a mexer
as minhas raízes
são os meus princípios
em qualquer geografia
o valor da palavra
raiz aprumada que me alimenta
a noção de justiça
a minha voz o meu gesto
a solidariedade
o meu estar aqui
as minhas raízes
herdei-as e fi-las
por vezes doem-me
(armazéns de lavos; mexer; 2017)
é verão

buíça, marnoto, 81 anos de idade
salgados são os dias
cansado o corpo
vergado ao peso do sol
à pureza do sal
é verão
pelas praias a banhos
muitos são
salgados vão os dias
salgado é o pão
o sol que te queima
o mar em que te banhas
à tua mesa sal serão
salgados são os dias
salgado é o pão
é verão
às praias a banhos
nem todos vão
(armazéns de lavos; salina do buíça; mexer)