a beleza do sal (50)


sagradas as palavras

digo das palavras
o sal do sentir

de emoção umas
da razão outras

falam de ti
as tuas palavras

recolho-as no meu dia
onde entraste
porque te convidei

recebo-te nesta casa
onde existir é ser

um copo de água
que o sol queima

acolho-me à sombra
do dizer

sagradas as palavras
onde és

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achegar

(armazéns de lavos; achegar; 2017)

a beleza do sal (46)


eu abri as portas da gaiola

(….eles passarão
eu passarinho
“mário quintana”)

não sei de bancadas
nem de lugar à sombra

gosto de sol e mar
e da força da vagas

ficou vazia a cadeira
que me guardaram

recuso o caminho palavroso
onde não nasceram gestos

cantam de poleiro
aves de arribação

eu abri as portas da gaiola
para voar
é tarde para me cortarem
as asas

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o meu amigo paulo formiga

(armazéns de lavos; mexer; 2016)