resiste

companheiro
é hora de naco de broa
e cajado
reparte com os amigos
o pão
o cajado também é arma
resiste

(murtosa; regata do bico; 2017)
resiste

companheiro
é hora de naco de broa
e cajado
reparte com os amigos
o pão
o cajado também é arma
resiste

(murtosa; regata do bico; 2017)
uma das formas de sobrevivência dos moliceiros tradicionais é a realização de passeios na ria de aveiro.
na RIA, não nos canais de aveiro.
a motor, por uma questão de segurança, mas com mastro e vela enrolada, conhecer a ria pela boca de quem a conhece é a proposta.
neste registo o percurso foi entre a torreira e o cais do bico, mas muitas e diversas são as propostas de percurso.
passear num moliceiro tradicional é um prazer e uma forma de apoiar a sua continuação.
OS MOLICEIROS TRADICIONAIS FAZEM PASSEIOS TRADICIONAIS
APOIA A TRADIÇÃO E DESFRUTA DE UM PASSEIO NA RIA DE AVEIRO
terra d’água

a espera sem vento
escreveis na água
o nome da terra
tendes nas mãos
o passado
prenhe de futuro
não o deixareis cair
sei e sinto
terra d’água
a vossa

já lá vão 10 anos ….
(regata do bico; 2007)
do fotógrafo

no tribunal do tempo
o fotógrafo é testemunha
ou está presente
ou nunca existiu

(murtosa; regata do bico; 2010)
o meu amigo ti zé rebeço

o ti zé sempre
que idade tem um homem
quando é um homem de todas as idades?
o que pesa aos ombros de um homem
quando o que carrega é a própria vida?
um mastro de moliceiro
foi tronco de árvore
é hoje a raiz de uma gente
onde a bandeira de um povo
ergue a voz de ser ainda
amanhã ti zé
amanhã iremos sempre à ria
seremos todos os que já foram
todos os que hão-de ser
sabendo que aqui
o moliço foi rei
e os homens quando falavam
empenhavam a palavra
ainda os há ti zé
ainda os há
os de palavra aqui
(regata do bico; 2016)
o vídeo da regata
(todos os anos no primeiro fim de semana de agosto realiza-se na murtosa, no cais do bico, a festa do emigrante.
o ponto alto é no domingo, depois de almoço, a regata de moliceiros. sempre a festa maior da ria.
este vídeo, mais um registo para memória futura, foi feito com a câmara colocada na bica da proa do moliceiro “A. Rendeiro” do ti zé rebeço, moliceiro dos velhos tempos e que bebe na ria a vida de cada dia, aos 76 anos idade. é seu camarada, nos últimos anos, manuel antão.
procurei neste registo não fazer corte de tempos que “parecem” mortos, fica à responsabilidade de quem o vir, segundo a sua sensibilidade e ligação à ria, fazer os cortes que achar por bem – acelerando, por exemplo, durante alguns momentos a passagem do vídeo e voltando ao normal quando o entender.
que corte quem vê e não quem faz é o meu critério neste tipo de registos.)
não esquecerei

fazer a diferença
escrever é sentir
ler é sentir duas vezes e
esquecer
não escrevo
não leio
não sinto
não esquecerei

porque não há um só caminho
(regata do bico; 2012)
jacques hammel, um francês no país dos moliceiros

jacques hamel, un français au pays des moliceiros

(regata do bico; 2016)
regata do bico 2016

” O Amador” a chegar ao cais do bico
participantes e posição à chegada:
classe A
1º – Zé Rito
2º – Marco Silva
3º – A. Rendeiro
4º – Dos Netos
5º – O Amador
6º – C.M. Murtosa
desistiram
S. Salvador
Manuel Silva
Bulhas
Classe B
(não entram para a competição)
Sermar
Ecomoliceiro
no final da regata foram entregues, pelos autarcas da murtosa, as medalhas de participação e as taças até ao 5º lugar.
foi anunciado de que havia prémio de participação e, como é hábito, deve haver também um de “posição à chegada”. os valores não foram divulgados, nem os moliceiros com quem falei o sabem.
alguma explicação há-de haver, e penso que de força maior, para que assim seja. eu só fui fotografar a regata.
aliás, havia muitas máquinas no cais do bico, vindas de muito longe, algumas até de lisboa. os moliceiros trazem às regatas um público muito especial: fotógrafos amadores.
espero que as organizações das regatas entendam, numa época em que se fala tanto de “turismo temático”, o potencial que eles representam.
só mais uma pequena nota, hoje no estaleiro do mestre zé rito, onde se está a construir o moliceiro do zé rebelo, um francês dizia-me:
– em frança só na bretanha se fazem barcos desta forma artesanal, mas não são para particulares, são para património.
mais uma para registo

o mestre felisberto caçoilo chega ao bico à proa d’ “O Amador”
(cais do bico; 7 de agosto, 2016)
o moliceiro “O Amador”, do mestre felisberto caçoilo, a chegar para a regata ainda pela manhã.
são imagens como esta que me levam a estar cedo e a passar muitas horas no recinto.
do tamanho

(relendo fernando pessoa
«Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura.»)
olho à minha volta e vejo
que nesta terra
os que nela mandam
não têm sequer
o tamanho da altura que têm
como poderão ver?

(murtosa; regata do bico; 2013)
reinventar tudo

quando a nascente nega o rio
desaguar no deserto
não é assim tão estranho
há ainda flores por nascer
e um copo de água
não se nega a ninguém
hoje reinvento tudo

(murtosa; regata do bico; 2007)