do meu fotografar

no tribunal do tempo
a fotografia é testemunha
(torreira; 2016)
do meu fotografar

no tribunal do tempo
a fotografia é testemunha
(torreira; 2016)
abraçar o vazio

o agostinho trabalhito (canhoto) e o ti augusto
estar vivo é
por vezes
abraçar o vazio
(torreira; 2013)
desencontro

a escolha
a mão que deste
a mão que te deram
haver mar

arribar
sê em cada dia
amigo do amigo
deixa que seja o tempo
esse outro amigo mais íntimo
a dizer-te quando acabou
o que parecia ter sido
não cuides do que poderia ser
lembra o que foi
procura outros rumos
noutras praias
há outra gente
com o mesmo destino
ser homem
e
haver mar

é tudo muito rápido e perigoso
(arribar; torreira; 2013)
vive

quando o longe se faz perto
e estás onde estiveste
quando o tempo se apaga
e és o que já foste
então a imagem é tua
mesmo se por outros olhos
vê e sente
ouve e sê
tudo está aqui
para ti
vive
(torreira)
para o meu amigo
vitor cacheira

só vai ao mar
quem quer
só volta do mar
quem sabe
ou
consegue

(torreira; 2016)
arribarei

stalone e aurora caravela
virão os dias de mar
perguntarão por mim
as gaivotas os amigos
os que se habituaram a
não há mar que caiba
numa praia
nem memória que se esgote
num areal
tenho o tamanho que me deram
os que ao mar foram
vem deles este destino de onda
em busca de praia
arribarei onde

(torreira; 2013)

como se numa dança
por entre as mãos
se faz o caminho da rede
(torreira; 2016)
tudo é nada

quando tudo acaba
o que começa?
quando o ter sido
não voltará a ser
o que resta?
quando o barco
vencer o mar
nem sempre os homens
se vencem
no fim do fim
não serei nada
encontrei
uma concha na areia
no recuar da onda
peguei nela
senti-lhe a leveza
na palma da mão
tudo era eu
tudo é nada

(torreira; 2016)
estranho sabor

as mãos acabam
onde tudo começa
ou será o contrário?
na areia da praia
à torreira do sol
ardem palavras
uma gaivota passeia nas redes
faz a última limpeza
come
as mãos continuam
o princípio e o fim
no côncavo da palma
cheguei de mãos vazias
parto de mãos amargas
estranho sabor
a gaivota levantou voo
juntou-se ao bando
por momentos existimos
(torreira)