quando o mar trabalha na torreira_esmeraldina vasca


esmeraldina vasca (falecida)

 

vejo o peixe
faço contas

quantas canastras dará?
na lota quanto poderá valer?
quando fizerem o leilão até onde posso ir?

pisco o olho ?
baixo a cabeça ?
levanto o dedo ?

tantas maneiras de dizer o meu preço:
não dou mais
compro
não quero
sem dar a saber aos outros

é esta a minha arte
saber comprar
para poder vender

também eu vivo do mar
do mar e do que ele der

vendo peixe
é esse o meu viver

tu és o dia


quando as portas têm janelas

 
constrói os dias
enche-os de ti
tu és o dia
 
sente como o sol
nasce dentro de ti
há um sonho por realizar?
tenta hoje
pode ser o dia
 
sente como cada instante
é teu
não deixes que  to roubem
 
inventa janelas
onde portas
não serás o primeiro
é apenas a tua vez de
 
tu és o dia
assim o queiras
 
(granja do ulmeiro)
 

é tudo muito difuso


onde, tu?

é tudo muito difuso
estás e não estás
infinitamente pequeno
o seres
nestes movimentos parados
no tempo

luzes, árvores, grades
feéricos instantes retirados
do interior da memória

sobre os carris
o comboio espera o momento de
há uma máquina porém
que não pára
pensas sempre
vício de estar ainda vivo

é tudo muito difuso
tu próprio começas a desconhecer-te
não penses, não fales
existe e caminha em direcção
ao ser

 

(estação de caminho de ferro de coimbra a)

A IMPORTÂNCIA DA REABILITAÇÃO DA ALDEIA DO PATACÃO


FOLHA INFORMATIVA Nº02-2012

(reprodução da newsletter)

Decorrem os trabalhos de limpeza da aldeia Avieira do Patacão, em Alpiarça, dinamizados pela AIDIA – Associação Independente para o Desenvolvimento Integrado de Alpiarça. Os trabalhos decorrem há cerca de dois anos, envolvendo sempre cidadãos voluntários. No ano de 2010 foram lá oferecidos 80 dias de trabalho-homem e no ano de 2011 foram oferecidos 70 dias de trabalho-homem, o que perfaz até hoje 150 dias de trabalho voluntário para limpar a aldeia histórica e o próprio Patacão. A Câmara Municipal de Alpiarça cedeu maquinaria, sem a qual os trabalhos não se teriam desenvolvido tão rapidamente.

A aldeia começa a mostrar a sua face limpa, porque num sábado em cada mês estas pessoas prescindiram do seu descanso para cumprirem com uma missão cívica e cultural. Por lá vão continuar, um sábado de cada mês, até que a aldeia esteja completamente limpa.

No dia 17 de Dezembro de 2011, cumpriu-se mais um sábado de trabalho voluntário. Conseguiu-se juntar nove pessoas para continuar a limpar a aldeia abandonada, e alagar a maracha do Tejo. Contou-se com a colaboração dos bombeiros municipais de Alpiarça, que vieram assistir a uma queimada controlada dos resíduos de vegetação que praticamente “engoliu” a aldeia e que agora houve que remover integralmente, o que ocorreu neste dia.

Aproveitou-se o dia também para alagar, ou tombar, salgueiros na maracha do rio Tejo – na zona do Patacão – como forma de proteger as margens da erosão das cheias e defender as terras da lezíria ribatejana.

Dos voluntários, quatro eram pescadores Avieiros. Aproveitámos a sua presença para os entrevistar. Os seus testemunhos de vida e de trabalho deram origem à presente Folha Informativa.

 O Gabinete de Coordenação

(Projecto de candidatura da cultura Avieira a património nacional imaterial e da Unesco)

 
Cultura Avieira – Um património, uma identidade

Entrevista com Avieiros 111217[1]