mãos de peixe, mãos de pouco pão


mãos de peixe, mãos de pouco pão


peixe para o gato

diziam

e lambiam os beiços

os bichanos

 

petisco

para a cerveja

e deslizavam

no prazer das bocas

de o saber fresco

sem espinhas

 

jaquinzinhos

servidos de aperitivo

em restaurante

com arroz de tomate

refeição

 

pequenos, dirás

junto à costa porém

parecendo muitos

são apenas os visíveis

minoria parca

face ao desbaste do arrasto

ao largo/perto

assim se confunde a árvore

com a floresta

e se abate aquela

enquanto os olhos se fecham

às grandes pescarias

 

os jaquinzinhos não matam

a fome dos pescadores da xávega

são o anúncio de que peixe maior virá

petisco de veraneantes

isso sim

de saco de plástico

como única ferramenta de trabalho

para além do

muitas vezes

ácido e crispado discurso moral

 

jaquinzinhos….

quem não gosta?

(torreira; 2009)