ombros de arrais


zé pato e o falecido zé murta

 

 

verga-se o bordão

ao peso do rolo

não se vergam os homens

que mais são

 

de areia se faz

o caminho do mar

a companha é isto

o sermos todos o mesmo

e sabermos

quando um mesmo é mais

é esse o arrais

 

não é mais só por ser

é mais porque em tudo é

da voz às mãos

dos olhos ao corpo

ele é a companha

 

madrugada cedo

a quotidiana leitura do mar

o saber se

há ou não mar de largar

tarefa sua e sofrida

 

ombros mais largos

não

apenas ombros

de arrais