a vida do pescador


colher as redes da solheira

 

 

não têm outro relógio

que as marés

outra companhia

que a da mulher

filho ou parente

 

“que esta arte

não dá para companheiros”

 

são os últimos

pescadores da ria

têm todas as idades

começam novos

orgulhosos da primeira bateira

e acabam quando já não

 

correm o mundo

em busca do pão que a ria

já não dá

encontra-los no bacalhau

no arrasto

em todo o mundo

da islândia à terra do fogo

são senhores do mar

 

é esta a gente

da laguna

daqui partem

e são mestres

aqui chegam

para serem esburgados

pelos intermediários

 

-isto não é um poema

é a vida do pescador-

 

 

(torreira)