a beleza do sal (126)


silencio
as palavras
planto-as algures
no canto mais luminoso
do jardim que tenho
para esse fim
(o fundo do bolso)

hoje não é dia de abrir
janelas
nem de as deixar voar
quero-as todas
para mim

e ficar assim
em silêncio
a pensar
tão somente
porque sim
morraceira; 2019

a beleza do sal (122)


in memoriam luís cardoso

na salina do corredor da cobra (ecomuseu do sal) a alegria, o saber, o amor pelo sal, tinham um nome: luís cardoso.

bom conversador e conhecedor da história e das técnicas de fazer sal, era um excelente guia para quem visitava a salina.

partiu este ano e continua connosco. é esse o mistério da ausência presente, que pessoas como ele nos deixam.

abraço luís, salgado abraço

(este pequeno e mal amanhado registo, com uma nortada forte a perturbar o som, foi feito com o smartphone, em setembro de 2020, naquela que seria a última redura do ano.)