nem

nem tempestade nem bonança outono apenas outubro ou redondo número o nome onde tudo resvala por nada permanece não me procures não estou não há ninguém silencio

(torreira; o spot)
águas vivas outras as artes outras redes malhas mais finas prenderam o sonho o sol uma vida o testemunho do tempo o olhar a guardar a memória onde agora safam-se os dias onde algas secas ainda a paciência é a arte da sobrevivência a reinvenção dos dias é um tempo cheio de tempo uma navegação em águas vivas porque revividas
(torreira; safar redes; 2019)
mais que o nome a alcunha conta uma história assim os pescadores a do henrique nunca a soube nem é aqui lugar para homem rico o henrique de duas alcunhas penso ser dono haverás mais ricos de alcunhas claro mas de voz mais nenhum safa as redes como todos não safa a vida
torreira; porto de abrigo; 2013
em 2010 o dia 28 de agosto foi assim:
” um dia em cheio. 7h45m- torreira; 8h30m – partida para a ria com dois pescadores para, durante cerca de 1h30m, fotografar e filmar o colher das redes; 10h30m banho no mar; 14h30m – o marco resolve ir ao mar, até às 17h fotografar e filmar um lance de xávega. assim um dia”
um dia intenso, como eram todos os dias
porque de tudo haverá partida e se fará memória se a houver malhas cheias as da minha rede forçoso voltar a terra e descarregar tempo de contas e de ter sido farto e intenso nunca pela metade porque de tudo há partida resta a memória

(de partida para cabritar berbigão, ou ameijoa)
eternidade breve
o assassínio do futuro condena-me a conjugar os verbos no passado se os nomeio folhas secas juncam o chão dos dias inscrevem nomes na memória povoam o silêncio estar vivo é saber da morte dos outros ser a sua eternidade breve outra não há
torreira; regata bateiras à vela; são paio; 2013