estranha linguagem a dos dedos quando se dão quando tocam quando nos percorrem que segredos contarão que palavras escreverão sensíveis polpas onde o prazer nasce estranha linguagem a dos dedos
moliceiros
os moliceiros têm vela (472)
os moliceiros têm vela (471)
os moliceiros têm vela (470)
o meu próximo livro

vou escrever um livro de poesia inovador a topo de página o título do poema duas linhas abaixo uma citação pouco conhecida de um autor consagrado há que divulgar o que li a minha ilustrada ilustração o resto da página em branco o que eu pretendo não é que saibam que escrevo mas que leio muito que diabo sou um doutor das letras
os moliceiros têm vela (469)
“Moliceiros” do Adriano Nazareth
Amigo Cravo:
Não sei se conhece este filme “Moliceiros” do Adriano Nazareth. É pena o casal de namorados que desfeia um bom trabalho etnográfico.
Agarrado, vai o meu filme “Moliceiros, Tempo para morrer”, do qual já não subscrevo tudo o que disse.
Abraço.
Diamantino Dias
(muito interessante este documentário e a citação de raul brandão, quando afirma ser o moliceiro barco de pesca. quando atravessou a ria de norte a sul, a bordo de um moliceiro, o escritor deve de ter visto as enguias que vinham misturadas com o moliço arrancado ao fundo da ria e pensou “este barco também pesca” – pensou e escreveu. era o tempo da fartura de enguias, mas isso não faz do barco moliceiro um barco de pesca. que sirva de nota a quem descreve o que vê sem saber cuidar do porquê.
não pretendo com isto criticar raul brandão, mas aproveitar para chamar a atenção dos “olheiros” dos nossos dias para quando legendam as suas imagens
agora deliciem-se com a memória)
os moliceiros têm vela (468)
os moliceiros têm vela (467)
os moliceiros têm vela (466)

tem os olhos límpidos que lembram a ria quando ainda enguias havia será o moliceiro que mais anos carrega no barco. a casa dos pais do ti zé rebeço, ficava em frente à casa dos meus. era de lá que vinha o leite que bebíamos. tem os olhos límpidos "até os matamos, cravo" esta é a única mentira que lhe conheço mas é tão nossa que é verdade mais de 80 anos e um sorriso de criança no olhar o meu amigo ti zé rebeço

(torreira; são paio; 2010)
os moliceiros têm vela (465)

entre 2010 e 2021 foram muitos os moliceiros que desapareceram. os que de novo foram feitos não os superam.
não vou citar nomes de homens e barcos, mas seja o ti abílio, amigo do peito, mestre das artes do mar e da navegação – que já não tem moliceiro e por isso não estará presente na regata de hoje -, o símbolo do amor a estas aves tão belas a que deram, por arte e ofício, o nome de moliceiros

torreira; regata do são; 2010










