era uma vez a xávega o mar lugar de encontro há tantos anos tantos olhar o regresso possível sentir como se voara sonho
(torreira; dias de mar)
águas vivas outras as artes outras redes malhas mais finas prenderam o sonho o sol uma vida o testemunho do tempo o olhar a guardar a memória onde agora safam-se os dias onde algas secas ainda a paciência é a arte da sobrevivência a reinvenção dos dias é um tempo cheio de tempo uma navegação em águas vivas porque revividas
(torreira; safar redes; 2019)

tem os olhos límpidos que lembram a ria quando ainda enguias havia será o moliceiro que mais anos carrega no barco. a casa dos pais do ti zé rebeço, ficava em frente à casa dos meus. era de lá que vinha o leite que bebíamos. tem os olhos límpidos "até os matamos, cravo" esta é a única mentira que lhe conheço mas é tão nossa que é verdade mais de 80 anos e um sorriso de criança no olhar o meu amigo ti zé rebeço

(torreira; são paio; 2010)
em 2010 o dia 28 de agosto foi assim:
” um dia em cheio. 7h45m- torreira; 8h30m – partida para a ria com dois pescadores para, durante cerca de 1h30m, fotografar e filmar o colher das redes; 10h30m banho no mar; 14h30m – o marco resolve ir ao mar, até às 17h fotografar e filmar um lance de xávega. assim um dia”
um dia intenso, como eram todos os dias
porque de tudo haverá partida e se fará memória se a houver malhas cheias as da minha rede forçoso voltar a terra e descarregar tempo de contas e de ter sido farto e intenso nunca pela metade porque de tudo há partida resta a memória

(de partida para cabritar berbigão, ou ameijoa)