memória de eugénio
rente ao muro
caminha uma sombra
eu para além de mim
sou apenas isso
lembra-te da sombra
em silêncio
branco sobre branco
escreveu o poeta

(torreira; safar redes; 2013)
memória de eugénio
rente ao muro
caminha uma sombra
eu para além de mim
sou apenas isso
lembra-te da sombra
em silêncio
branco sobre branco
escreveu o poeta

(torreira; safar redes; 2013)
olhar é sentir

todos os dias assisto
a uma sessão privada
de cinema
o filme da minha vida
passa e repassa
vejo e revejo-o
todos os dias
o filme é diferente
como eu o sou
olhar é sentir
e nunca se olha
da mesma forma

(torreira; regata da ria; 2010)

eis a mulher da ria
eis a mulher da ria
a mãe a camarada
seja hoje dela o dia
canto nela o serem
muitas as que
ombro com ombro
braço com braço
nas bateiras
são camaradas
do seu homem

(torreira; 2009)
é
é no tempo
que o homem
se desnuda
sê paciente

tiago capelo
(torreira; cirandar; 2016)
como se
como se dança
os corpos
como se música
os sons
como se agora
o antes
como se aqui
o longe
nada mais falso
que o óbvio

safar redes é trabalho de casal
(torreira; safar redes; 2013)
sonhar

ser eu criança
o mundo
caber-me na mão
sonhar é o caminho
onde
começa o amanhã
ser todo o tempo
agora
eu criança sempre

(torreira; regata da ria; 2013)

o moliceiro “Dos Netos”
a escolha
para além da janela
a rua
para além do horizonte
o mundo
para além do agora
o amanhã
para além do quero
o posso
para além de mim
a escolha
a tua

(bestida; safar; 2011)
moliceiros na ria

lavrar a ria
foi sina de um povo
que atravessou o mar
reviver
a memória as raízes
é sermos
escrevê-lo
é haver aqui
neste tempo hoje
moliceiros na ria

(torreira; regata da ria; 2010)


renascer
impossível reconstruir
a ponte
a tempestade caiu brava
imprevisível
sobram destroços
pedaços de memória
ilusões desfeitas
caminho
costas voltadas
ao que foi
urgente renascer

(torreira; safar caranguejo; 2012)
ainda
estarei onde
os olhos poisarem
serenos de
sou o que regressa
por ser
esta a terra o mar
as gentes
vivo onde estou
sou onde sinto
um sorriso
questiona-me
já por cá
ainda

os “henrique gamelas” pai e filho
(torreira; cabrita baixa; 2012)