os moliceiros têm vela (470)


o meu próximo livro

torreira; regata da ria; 2009
vou escrever um livro 
de poesia
inovador

a topo de página
o título do poema

duas linhas abaixo
uma citação pouco conhecida
de um autor consagrado

há que divulgar o que li
a minha ilustrada ilustração

o resto da página em branco

o que eu pretendo
não é que saibam que escrevo 
mas que leio muito

que diabo
sou um doutor das letras

postais da ria (401)

postais da ria (401)


por que não quero escrever

nada mais resta que uma varanda
sobre o tempo
uma corda tensa a prender os dias

nada mais que uma visão
coberta de silêncios e vozes idas

nada mais que palavras inventadas
onde já não as há

caminhos feitos muitos
por fazer 

uma corda esticada sobre os dias
procura uma guitarra
que certo é o fado

postais da ria (399)


águas vivas

outras as artes outras redes
malhas mais finas
prenderam o sonho
o sol uma vida

o testemunho do tempo
o olhar a guardar a memória
onde agora

safam-se os dias
onde algas secas ainda

a paciência é a arte
da sobrevivência

a reinvenção dos dias
é um tempo cheio de tempo
uma navegação em águas
vivas porque revividas

(torreira; safar redes; 2019)

os moliceiros têm vela (467)


se não houvesse homens
quem faria os barcos
quem os manejaria

o futuro dos moliceiros
se o houver
está no querer de quem manda

que homens de fazer
os temos

o rui miguel (russo, índio…) na preparação da regata da ria 2020

foi um dos jovens tripulantes que ganharam a regata do s. paio, de 2021

postais da ria (398)


mais que o nome a alcunha
conta uma história

assim os pescadores

a do henrique nunca a soube
nem é aqui lugar para

homem rico o henrique
de duas alcunhas penso
ser dono

haverás mais ricos 
de alcunhas claro

mas de voz
mais nenhum 

safa as redes como todos
não safa a vida

torreira; porto de abrigo; 2013