crónicas da xávega (477)


para o meu amigo agostinho trabalhito

apanhei rente ao mar  
três seixos rolados
de cores diferentes
como diferente é tudo

entrechocando-se na mão
produzem um som áspero
um som de memória perdida

encostados ao ouvido
nada dizem
são simples pedras
não búzios

também eu
trago no corpo o mar
o mar que ninguém ouve

(torreira; 2016)

memória_14042011


à memória do ti manel trabalhito

(fica sempre uma marca do pescador
nas águas onde pescou
este brilho
é o teu manel
é o de todos
os que já não)
hoje só me saem 
das mãos
seixos rolados

apanhei-os no mar
e quero lançá-los 
à ria

ali
onde a tua bateira
manel

ficar assim
a olhar os círculos
onde o teu rosto

boa noite manel