os olhos e o medo
frágeis e instáveis os dias pandémicos silenciosos fazemos de mortos para não morrer a boca seca de outros lábios os olhos sobram da máscara só os olhos e o medo
pensa-te a realidade não é o que escreveste fotografaste pintaste muito pouco seria se só isso registas apenas parcelas do todo crias um novo real és por isso responsável pelo teu mundo é teu oferta tua aos outros cuida do teu jardim pensa-te
a escolha das fotos e do poema foi feita no estados unidos
os amigos da terra, da terra são porque dela gostam e, por vezes, oferecem-nos prendas assim
ficam na sombra porque sempre ficaram, são amigos muito especiais
abraço-os
o filme foi produzido e realizado pela PlexoFilm, nele participo com o poema e a sua dicção
cabrita baixa ou a dança da ria na placidez das águas caminham arrastam mais que o corpo o peso do pão cerram os dentes apertam os punhos sofrem muito porém dançam dizes tu que vês e não entendes do fundo da ria vêm os bivalves do fundo das gentes forças desconhecidas já é tempo de safar o ano dirás que dançam dir-te-ei que esta é outra forma de sobreviver