por mais duro

o sorriso nos meus lábios
por vezes amargo
ouve-o atento
não é fácil iniciar caminhos
mais duro sentir que terminaram
quando vires não cales
quando ouvires mostra
por mais duro
(torreira; 2014)
por mais duro

o sorriso nos meus lábios
por vezes amargo
ouve-o atento
não é fácil iniciar caminhos
mais duro sentir que terminaram
quando vires não cales
quando ouvires mostra
por mais duro
(torreira; 2014)
da areia

o arribar do saco
todos os caminhos são
de areia
quando o esquecemos
areia fomos
(torreira; 2009;
depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira
da vida

o meu amigo norberto
só a incerteza
é certa
assim vivo

(safar redes; torreira; 2017)
a raiva acesa

quem foste tu
que hoje não és?
quem amava morreu
quem vive matou-me
quem fui eu
que não sei ser?
a mão sustém memória
dentro dela eu
a raiva acesa
nas pontas dos dedos
a raiva acesa
(torreira)
depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira
(torreira; junho, 2017)
arrancaram-lhe as raízes

arrancaram-lhe as raízes
picaram-lhe com finas agulhas
os órgãos de sentir
fizeram-no de pedra bruta
in sen sí vel
chorou encostado a uma parede
era de dia e havia gente na rua
sabias que se pode gelar de verão?
não lhe arrancaram a memória
nunca o conseguirão

(torreira; 2013)
depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira
depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira
depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira