a fuga ideal
o poema
dobrou-se sobre si
olhou-se pensou-se
disse-se
o poeta deitou-se
adormeceu coberto
de palavras
dormir não é
o melhor remédio
fechar os olhos
é viver por dentro
a fuga ideal de ser

(torreira; 2010)
a fuga ideal
o poema
dobrou-se sobre si
olhou-se pensou-se
disse-se
o poeta deitou-se
adormeceu coberto
de palavras
dormir não é
o melhor remédio
fechar os olhos
é viver por dentro
a fuga ideal de ser

(torreira; 2010)
o beijo

salgados serão
os lábios
se de mar
o beijo

(torreira; pancada de mar; 2016)
talvez
escolhidos e fixados estão os textos (51)
as fotos:
o livro está pois preso por pontas.
espero que venham a gostar de o ver/ter/ler tanto como eu, e os que comigo estiveram, gostámos de o fazer.
esperemos pelo sol e o mar.
talvez chegue a tempo de ir a banhos.
o meu amigo ti miguel bitaolra

não ti miguel
não nos encontramos mais
você acreditava que ia
não sabia para onde
mas acreditava
eu quando for
vou para o mar onde você
já não estará
sei que que nos encontrámos
no melhor sítio do mundo
o nosso mundo
havia sempre o mar
ti miguel
o ti alfredo a companha
havia ti miguel
havia
os dias passam ti miguel
mas a cada dia
é mais de memória
a minha companhia
(torreira; 2009)

falecido em 2017
meditação
dizes
só me insulta
quem eu quero
digo
só me magoa
quem menos espero

(torreira; 2009)

vejo sinto sou
talvez não fosse uma maçã
pode até nem ter havido paraíso
nem adão nem eva nem deus
cada um acredita no que quer
mas há a moeda
o fmi o bce o dólar o euro
o bitcoin pasme-se
há o homem e o fascínio
das moedas todas
lhe poderem dar tudo
talvez não exista céu nem anjos
nem inferno nem diabo
mas existe a ganância a cegueira
a lágrima a mágoa a alegria
a revolta a aceitação a ignorância
a fome o desperdício o luxo
existe ainda a propriedade
e os homens impróprios
isto não é crença é facto
e sei que existo eu
a questionar tudo isto
porque vejo sinto sou

carregar o saco na zorra
(torreira; 2012)
sonha
se infinito é
o inatingível
há tantos por aí
escolhe um
e agarra-o

(torreira; 2013)
o livro
reinventar o tempo
por dentro
os amigos ainda são
encho-me de mim
e sou de novo
por ser neles eu
um sorriso um olhar
um abraço
empresto-lhes vozes
inventadas
palavras onde moram
é de memórias
que o livro se faz

(ti miguel bitaolra;torreira; 2012)
a pancada

será forte a pancada
de mar
respeito os homens
no barco
digo-te que maior
a dor
se em vez de mar for
de homem
a pancada

(torreira; 2013)