postais da ria (195)


notas de um retirante

enguias, onde?

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a receita “caldeirada de enguias à murtoseira”, tem imagem de marca e é única.

a receita, entenda-se.

agora fica a pergunta: ainda há enguias na ria? ainda há quem possa fazer vida da apanha de enguias? as enguais ainda são uma riqueza da ria?

em tempos de haver moliço e a ria ser a de eu me lembrar, apanhava-se enguia à certela, à fisga, ao candeio, à chincha, com galrichos ……

apanhava-se porque havia. e agora?

a companha do manel trabalhito, pai, apanhava-as à chincha de pareja, o filho continuou, não sei se ainda continua. o henrique “orelhas” continua com a chincha de pareja. na torreira são os que conheço.

haverá talvez 2 pescadores, poucos mais, que apanham algumas enguias com galrichos, mas com bateiras atracadas no lado da serra: bestida, murtosa, bunheiro ……

as enguias que se comem no concelho e nos festivais gastronómicos; as que a comur conserva e vende; as que a maior parte dos restaurantes serve…. todas essas, de onde vêm?

há enguias na ria? há, sim senhor. mas há quantos anos não chegam para as encomendas?

neste galricho vão 2, nos galrichos todos foram para aí 3 ou 4 – em 2012, com o armando bastos (piço) e o emanuel (rico).

não adianta esconder o sol com a peneira. fazem-se boas caldeiradas nos restaurantes do concelho da murtosa, mas em quantos se comem enguias da ria e quantas vezes?

vale a pena procurar e perguntar e só depois escrever.

(2012)

os moliceiros têm vela (241)


reparos de um retirante

“Breve História do Concelho da Murtosa”, autor “Marco Pereira”

(algumas notas breves, precedidas de um sublinhado)

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em qualquer publicação é tão importante a citação como a omissão.

isto dito, e sem retirar valor, nem importância à obra citada, queria deixar 3 notas breves para os desenvolvimentos temáticos futuros:

moliceiros: ainda há moliceiros na ria. é importante fazer a história das regatas e sua importância na dinamização turística temática e preservação do património, único no mundo. os moliceiros tradicionais e os passeios na ria.

companhas: ainda existem companhas activas na torreira. importante referir as que estão em laboração, as que ao longo do século xx trabalharam e as alterações sofridas nos métodos de trabalho: dos bois aos tractores, dos remos aos motores, por exemplo. parece-me importante que seja referido o seu papel na atracção turística temática.

literatura: não consta o nome do dr. Raul Vaz, entre os escritores listados. penso que, enquanto murtoseiro e pela obra produzida, merece lugar de relevo entre os nomeados.

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(foto de 2014)

os moliceiros têm vela (232)


regata do bico 2016

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” O Amador” a chegar ao cais do bico

participantes e posição à chegada:

classe A

1º – Zé Rito
2º – Marco Silva
3º – A. Rendeiro
4º – Dos Netos
5º – O Amador
6º – C.M. Murtosa

desistiram

S. Salvador
Manuel Silva
Bulhas

Classe B
(não entram para a competição)

Sermar
Ecomoliceiro

no final da regata foram entregues, pelos autarcas da murtosa, as medalhas de participação e as taças até ao 5º lugar.

foi anunciado de que havia prémio de participação e, como é hábito, deve haver também um de “posição à chegada”. os valores não foram divulgados, nem os moliceiros com quem falei o sabem.

alguma explicação há-de haver, e penso que de força maior, para que assim seja. eu só fui fotografar a regata.

aliás, havia muitas máquinas no cais do bico, vindas de muito longe, algumas até de lisboa. os moliceiros trazem às regatas um público muito especial: fotógrafos amadores.

espero que as organizações das regatas entendam, numa época em que se fala tanto de “turismo temático”, o potencial que eles representam.

só mais uma pequena nota, hoje no estaleiro do mestre zé rito, onde se está a construir o moliceiro do zé rebelo, um francês dizia-me:

– em frança só na bretanha se fazem barcos desta forma artesanal, mas não são para particulares, são para património.

mais uma para registo

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o mestre felisberto caçoilo chega ao bico à proa d’ “O Amador”

(cais do bico; 7 de agosto, 2016)

o moliceiro “O Amador”, do mestre felisberto caçoilo, a chegar para a regata ainda pela manhã.

são imagens como esta que me levam a estar cedo e a passar muitas horas no recinto.

os moliceiros têm vela (231)


do tamanho

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(relendo fernando pessoa
«Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura.»)

olho à minha volta e vejo
que nesta terra
os que nela mandam
não têm sequer
o tamanho da altura que têm

como poderão ver?

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(murtosa; regata do bico; 2013)

os moliceiros têm vela (228)


ao meu funeral
(que não vai haver)

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o “Doroteia Verónica”

irão

alguns
para se despedirem

outros
por ser conveniente

muitos
para confirmarem que

o preto é uma cor
sempre na moda
emagrece e fica bem

e depois
roupa preta
quem a não tem?

EU!

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mais um moliceiro que teve de ser vendido e anda amputado pelos canais de aveiro

(murtosa; regata do bico; 2009)