mãos de mar (55)


quando o mar trabalha

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depois de seco o saco é de novo fechado para o aparelho da xávega poder fazer novo lanço. ao acto de fechar o saco chama-se “dar o porfio”, é o que está a fazer o meu amigo agostinho canhoto

é de rede
deitada ao mar do tempo
este livro

em terra
ficará a contar estórias
a falar de muitas vidas
e saberes

fora dele muito mais
que para tudo
saco não havia
e peixe houve que saltou

deu-se o porfio
fechou-se o saco

é na praia que encontras
os búzios que procuraste
em casa

(torreira; 2011)

 

 

até quando?


(praia de mira; 2009)

que dizer-vos
destes tempos em que assisto
a tentativas sucessivas
de assassinato
da memória?

que dizer-vos
da raiva angústia
desespero
destas gentes
que são as as minhas
que são as nossas
que somos nós?

quem seremos
amanhã
se nos querem roubar
o hoje
o ontem?
 
quem seremos
amanhã
se nos querem roubar
o sermos?
 
o povo será sereno
mas até a serenidade
tem limites

até quando?

safar as redes, safar a vida


 

salvador e esposa

o salvador é dos poucos, senão o único pescador, que safa as redes para a praia quando a maré está vaza.

a mulher é a sua camarada na tarefa.

para que as redes não se encham de areia põe sempre um oleado na areia e é sobre ele que as redes vão caindo.

(torreira; 2010)

solheira – o safar das redes ou outra forma de dança


 

o massa a safar

atracada a bateira, vai o pescador descansar.

a madrugada e a manhã foram gastas no largar e no alar.

regressa depois de comer e começa a safar as redes.

uma das formas de safar as redes é dentro da própria bateira, e a
rede passa, por cima de uma vara, da ré para a proa enquanto se vai safando.

a dança que começou na ria para a ré, faz-se agora da ré para a proa.

o massa, em primeiro plano, é um homem de mar e de ria, de força e de trabalho, que canta com tanta alma quanto aquela que põe na faina.

(torreira; marina dos pescadores;2010 )

o safar das redes na arte solheira (I)


a dança do safar

na arte da solheira o safar é sem dúvida a tarefa mais trabalhosa.

durante alguns registos iremos acompanhar o bailar das redes e como, quando e onde pode ser feito o safar das redes.

olhar é o princípio da descoberta das coisas e do estudo dos processos em que se inserem

(cais do bico; murtosa; 2010)