regata da ria 2016 (6)


parabéns zé rito, bravo maria emília prado e castro

classificação da prova de pintura de painéis:

1º Zé Rito

2º Marco Silva

3º O Amador

4º A. Rendeiro

5º Sermar

no final da decisão do júri, foi entregue pela organização a totalidade do valor devido aos donos dos moliceiros, pela participação e competição ( regata e painéis). foi cumprido o prometido.

não houve alteração de valores em relação ao ano passado – eu esperava algo mais, mas quem me manda a mim sonhar? – e na regata só houve prémios monetários até ao 3º classificado, quando o usual era ir até ao quinto.

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maria emília prado e castro a escoar o S. Salvador

 

mas na publicação de hoje, sobre a regata da ria de 2016, queria contar-vos a história de um barco, o S. Salvador.

construído pelo mestre antónio esteves ( pardaleiro) para a junta de freguesia de s. salvador, ílhavo – penso que em torno de 2010 – chegou a participar em algumas regatas, com tripulantes locais.

em 2013, depois de reparado e aparelhado por marco silva, participou na regata da ria e venceu-a, tendo como arrais marco silva.

em 2014, por dificuldades financeiras não participou em qualquer regata e, comprado em hasta pública por miguel matias, só viria a participar na regata da ria 2015.

em 2016, foi vendido por miguel matias a maria emília prado e castro, que lhe botou vela e participou na regata, com o apoio de alfredo rebelo e sérgio silva, garantindo um honroso 5º lugar.

é para ela o meu bravo, à mulher que sentiu que um verdadeiro moliceiro é para ter vela e andar na ria.

bravo, maria emília prado e castro, dona de um moliceiro, que não tem medo de pegar num vertedouro e escoar água do seu barco. uma mulher assim, só pode ser admirada por todos os que amam os moliceiros tradicionais e entendem que a história se faz todos os dias e por cada um de nós.

acho que posso falar por todos os moliceiros se disser de novo:

BRAVO! MARIA EMÍLIA PRADO E CASTRO

(nota, a breve história que aqui apresentei do S. Salvador, poderá ter alguns lapsos de datas, por falta de elementos concretos e atempados, mas não andará muito longe da realidade)

os moliceiros têm vela (221)


parabéns “marco silva”

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o “marco silva” a caminho da sua primeira vitória: “regata da ria, 2015”

o moliceiro “marco silva” faz hoje um ano. parabéns ao mestre, parabéns ao barco, parabéns a todos os que gostam de moliceiros e lutam pela tradição dos moliceiros à vela.

relembro o vídeo que fiz do bota-abaixo

mas, hoje, estão de parabéns todos os moliceiros que participaram na regata de 2015 e que, pelas suas prestações, tiveram direito a receber prémios de classificação na regata e de pinturas.

é que, finalmente foram pagos. é verdade. depois de ter divulgado o atraso nos pagamentos em publicação no facebook no dia 12 de maio (https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10201722706465353&set=gm.1739693149645723&type=3&theater) e no meu blog (https://ahcravo.com/2016/05/12/os-moliceiros-tem-vela-210/ ) houve quem enviasse email para a comunidade intermunicipal da ria de aveiro denunciando o que se passava.

não interessa quem foram, não interessa quantos foram, sabem os que o fizeram, como sabem os que nada fizeram.

a comunidade intermunicipal da região de aveiro, através de diligências do seu secretário-geral, providenciou o pagamento em falta, não porque ainda não o tivesse feito, mas porque a associação a quem entregou a organização não o fez. Informou também que seria adoptado novo modelo de organização da regata e pagamentos.

neste momento está tudo regularizado e, esperemos, o novo modo de procedimentos, não permita novos atrasos.

espero que não, para bem de todos e sossego de muitos.

amigos, valeu a pena.

termino como comecei, parabéns “marco silva”, pelo aniversário, parabéns a todos os moliceiros que continuam na luta pela tradição.

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e o “marco silva” ganhou a primeira regata em que participou

os moliceiros têm vela (218)


assassino

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pelo mesmo nome responde o homem e o barco

enorme o barco
maior o homem

respondem pelo
mesmo nome
e não sei quem
primeiro foi

se o barco
se o homem

morrerá o barco
com ele o homem

digo então
que quem matar o barco
mata o homem

não importa
se por ignorância
ou incúria

quem o fizer
será sempre

assassino

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sempre pronto para a brincadeira, um moliceiro com paixão, o ti abílio

(torreira; regata da ria ; 2011)

postais da ria (170)


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o ti henrique cunha a cirandar

 

ainda há força nos braços
depois de horas
a arrastar a cabrita pelo lodo

a dança da cabrita
é violenta
o fruto é cada vez menos
abundam as conchas
onde antes bivalves

homens mulheres jovens
mais velhos
todos todos caminham
no lodo
parecendo ao longe
que sobre as águas

é tempo agora de cirandar
depois escolher
e no fim vender ao preço

que o comprador disser

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o ti henrique cunha a cirandar

(torreira; junho; 2016)

 

 

postais da ria (169)


pai e filho

(ensino-te a arte
que me ensinaram
dou-te o amor
que me deram
de pai para filho)

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o nuno (filho) enche a cabrita que o pai (nuno) segura

gostava que houvesse
futuro
por onde os meus olhos
ainda

gostava de te dizer
de pai para filho
deixo-te um amor
uma terra uma gente

mas sei
sinto
que me fico
por estas palavras
por este saber que

não há futuro aqui

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pai e filho, a mesma arte

(torreira; junho, 2016)

pai e filho têm o mesmo nome, nuno. pai e filho partilham a arte. até quando?

os moliceiros têm vela (217)


QUEM LUCRA COM A REGATA DA RIA?

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a regata da ria, a mais importante das 3 regatas de moliceiros que se realizam todos os anos, envolve 3 “actores”:

1 – o promotor da regata (que a financia)

2 – o organizador da regata (que paga os seguros, um almoço e um jantar aos moliceiros, as taças e distribui os prémios pecuniários)

3 -os moliceiros (pagam as despesas de manutenção dos barcos- pintura de painéis e reparações para a regata, custos que não são cobertos na totalidade pelos valores que recebem do organizador)

ou seja, o promotor dá dinheiro ao organizador, que paga aos moliceiros.

o interessante no meio deste processo é que quem organiza, gasta pouco e ganha muito –  DA REGATA DE 2015 AINDA CONTINUA A HAVER DINHEIRO POR PAGAR AOS MOLICEIROS – e os  moliceiros, gastam muito e ganham pouco.

será que ninguém vê isto? será justo? o que podem os moliceiros fazer para que as coisas passem a ser ao contrário: quem gasta pouco, que ganhe pouco (a organização), quem gasta muito que ganhe muito (os moliceiros).

será que os promotores não sabem o que se passa? quem é que anda a lucrar com a regata da ria?

os moliceiros é que não.

PAGUEM O QUE DEVEM AOS MOLICEIROS E REVEJAM A DISTRIBUIÇÃO DAS VERBAS

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(torreira; regata do s. paio; 2014)

postais da ria (168)


hoje quero aprender

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o rico enche a ciranda de berbigão e conchas, por entre as barras hão-de cair as conchas e o o berbigão miúdo

 

joeira os dias
ciranda as memórias

escolhe
lembra apenas o que

limpa-te das chagas
sofridas

sorri de lembrares
sorrisos

depois de o fazeres
ensina-me
como conseguiste

hoje quero aprender

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(torreira; junho, 2016)

postais da ria (167)


unem-se na partida

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o nelson arruma as redes, vai para o mar

arrumar as redes
é arrumar os dias

é tempo de partir
de ir ganhar a vida
que na ria se gasta

o arrasto o bacalhau
a pesca do alto

na ria não se faz vida
a desunião desfaz a força

unem-se na partida

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só parte quem ficando não faz vida

(torreira; 2016)