a porta está aberta

nos braços a força
na vela a bandeira
na vontade o ainda
moliceiro sinto-o assim
branco e negro
belo em risco
à janela há
quem espreite
que entre
a porta está aberta

(torreira; s. paio; 2017)
a porta está aberta

nos braços a força
na vela a bandeira
na vontade o ainda
moliceiro sinto-o assim
branco e negro
belo em risco
à janela há
quem espreite
que entre
a porta está aberta

(torreira; s. paio; 2017)
a vida de quem vive da ria não está fácil

quando todos são um e muito mais que cada um
este ano, contrariamente ao habitual, a corrida de chinchorros foi na quinta-feira, dia 7, e não no sábado juntamente com a regata das bateiras à vela.
para mim, e muitos dos que seguem as regatas do s. paio, esta é a mais emocionante. por isso mesmo, o ser ao sábado garantia a assistência que merece. manifestei-me contra a data escolhida este ano numa publicação a que dei o título “manda quem pode”.
quando cheguei à torreira falei com um pescador membro da organização e disse-lhe o que pensava. a resposta calou-me e foi muito simples:
“- fui eu quem decidiu, porque amanhã, dia 8, é dia de s. paio e há pescadores a quem fazem muito jeito os 50 euros de prémio de participação, que recebem hoje, para festejarem o s. paio.”
a explicação é mais que suficiente, pelo menos para mim.
retiro assim o que disse na publicação referida. é muito mais importante, para os pescadores, poderem brincar o s. paio com alguns trocos a mais na algibeira, do que terem muito mais gente a assistir à corrida de chinchorros.
a vida de quem vive da ria não está fácil.
(corrida de chinchorros; s. paio; 2017)
regata do s. paio 2017

a última regata do ano, na ria de aveiro foi a mais participada de todas, com 11 moliceiros da classe A e 2 da classe B.
classe A
Zé Rito
A. Rendeiro
Marco Silva
Dos Netos
Inobador
Bulhas
Um Sonho
C. M. Murtosa
S. Salvador
O Amador
Manuel Vieira
classe B
Ecomoliceiro
Sermar
posição à chegada
1º Marco Silva
2º A. Rendeiro
3º Zé Rito
4º Bulhas
5º Um Sonho
foi uma bela regata e mais bela ficou a ria onde decorreu. mais um ano que os moliceiros tradicionais levaram de vencida.
mais um ano em que os donos dos barcos deram tudo para que eles continuassem. de compensação pelo seu esforço financeiro só os prémios das regatas…..E NÃO CHEGAM.
PARA QUANDO O RECONHECIMENTO DO MOLICEIRO COMO PATRIMÓNIO MURTOSEIRO, NACIONAL E MUNDIAL, MERECEDOR DOS DEVIDOS APOIOS E INCENTIVOS?
mas…..
foi um ano de festa, mais um moliceiro da classe A na regata e mais outro em construção no chegado.
foi um s. paio de azar para o zé rito que viu a verga, ou invergue, partir perto da meta e assim perdeu o primeiro lugar.
foi pena não ver o meu amigo, figura típica e castiça da ria, ti zé formigo na tripulação do moliceiro da C. M. da Murtosa.
foi bom a AFAVM, no seu primeiro ano de vida ainda por completar, ter feito a divulgação da regata pelos seus associados e criado condições para que pudessem acompanhar a regata a bordo de barcos de pescadores da torreira.
todos, pelo empenho, pela dedicação e pela iniciativa são merecedores do nosso respeito e admiração.
até para o ano amigos, na regata ria espero voltar a ver-vos

(torreira; regata do s. paio; 2017)
moliceiro

olhar-te
é ver-me

(torreira; s. paio; 2014)
o meu tempo

o meu tempo
é todos os tempos
fazemo-nos
ontem que relembro
para me alimentar
hoje onde sou para ter sido
e ajo para que
amanhã seja eu ontem ainda
futuro a que acrescentei
o meu tempo
o tempo que fiz
o tempo que me fez
o tempo que não deixei
que se fizesse sem mim

(torreira; regata das bateiras à vela; s. paio; 2013)
da vida

o que não presta
nunca prestou
se hoje te desilude
foi porque te enganou

(corrida chinchorros; s. paio; 2016)
a vida mata o sonho

“você só está aqui de férias”

o que era
continuará a ser
não é o cigano
que muda a terra
nem a terra
mudará o cigano
a vida mata o sonho

(torreira; regata s. paio; 2015)
manda quem pode

tradicionalmente as regatas do s. paio da torreira realizam-se no fim de semana: no sábado a regata de bateiras à vela e a corrida de chinchorros ( a mais emocionante de todas), no domingo a regata de moliceiros.
estranhamente, este ano, a corrida de chinchorros vai ser na quinta-feira dia 7. assim quem só tiver o fim de semana livre, ou vier de fora para assistir às regatas, não vai poder assistir às corridas de chinchorro.
é uma pena, porque é na corrida de chinchorros que se vivem os momentos mais emocionantes das regatas.
será que quem organiza as regatas e é por ela responsável – executivo municipal ou comissão de festas – alguma vez assistiu com olhos de ver às corridas de chinchorros?
alguma vez o horário das marés impediu que a regata de bateiras à vela e a corrida de chinchorros se realizasse no mesmo dia?
alguma vez viram/sentiram a festa que é para os pescadores o participar na corrida de chinchorros e como essa festa deve ser partilhada pelo maior número de pessoas possível?
caros senhores que nestas coisas mandais, parai para pensar e se motivos de muita força vos fizeram mudar a corrida para quinta-feira, pensai na força que perde a força maior das regatas : os pescadores da torreira.
gostava de não escrever o que aqui digo, mas custava-me mais nada dizer.
lá estarei, porque reformado, porque ainda posso. mas lamento os amigos que trabalham, os que vêm de longe e pensavam ver as regatas todas e, alguns já o manifestaram, vão perder a mais emocionante.

fica o vídeo que fiz o ano passado para que sintam, os que decidem, e vejam os que, com esta decisão, não vão poder ver.
(corrida de chinchorros; s. paio, 2016)
frema

palavra da terra
das gentes
do serem dela
cheios alguns
deixo a frema
para que falem dela
e vejam
no homem a frema
de ser
e só assim continuar
o que é a frema
pergunto-vos

(torreira; regata do s. paio; 2016)
o filme continua com
“o tempo do moliço”
conjugação imperfeita

conjugo o tempo
no pretérito perfeito
assassinaram-me
o futuro
incondicionalmente

(torreira; regata do s. paio; 2012)