ao ano novo

ofereço-te os dias
onde fui mais que eu
por sobre a ria
as minhas aves voam
para poisar no sol
que cresçam contigo
e continuem a voar

(torreira; regata do s.paio; 2014)
ao ano novo

ofereço-te os dias
onde fui mais que eu
por sobre a ria
as minhas aves voam
para poisar no sol
que cresçam contigo
e continuem a voar

(torreira; regata do s.paio; 2014)
dos “artistas”

são e não são
depende de
conheço alguns
não gosto deles

(torreira; s. paio; 2018)
urgente

o mestre zé rito ao leme do moliceiro “Zé Rito”
poesia precisa-se
poetas abundam

o mestre zé rito ao leme do moliceiro “Zé Rito”
(torreira; regata do s. paio; 2018)
da ilusão

um mais um
quantos são?
o total depende
sempre de ti

(torreira; s. paio; 2011)
do sonho

tudo se desgasta
só tu permaneces

(torreira; s. paio; chinchorros; 2013)
meditação com a ria em fundo

o ti zé rebeço, homem da ria
quem sou fez-se
quem me fez
não sei se o sabe
vou rente ao mar
enterro na areia os pés
equilíbrio precário
porém seguro e firme
crescemos aprendendo
dolorosamente por vezes
o cuidado no colher
da rosa
é evitar os espinhos
se visíveis forem

ti zé rebeço, a ria como casa
(torreira; regata de bateiras à vela; s. paio ; 2013
tão só

durante anos
registou as vozes
do vento
quando morreu
abriram o livro
as folhas voaram
um sopro de vento
tão só

(torreira; regata s. paio; 2018)
memória

memória
se a houver
será apenas isso
o que dizem ter sido
mesmo não sendo
o que foi
tudo depende
de quem conta

(torreira; regata s. paio; 2014)
mulher

escrevo ria
com m de mulher
não menina
escrevo esta gente
nestes dias
de velas e vento
de sermos
escrevo ria
com m de mulher
e é laguna
escrevo mulher
numa bateira
e a ria sorri de

(torreira; s. paio; 2018)
o beijo

numa folha de papel
desenhei dois lábios
como a arte é nula
ficaram mal feitos
mas
coisa estranha
beijaram-me

(torreira; regata do s. paio; 2018)