postais da ria (167)


unem-se na partida

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o nelson arruma as redes, vai para o mar

arrumar as redes
é arrumar os dias

é tempo de partir
de ir ganhar a vida
que na ria se gasta

o arrasto o bacalhau
a pesca do alto

na ria não se faz vida
a desunião desfaz a força

unem-se na partida

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só parte quem ficando não faz vida

(torreira; 2016)

 

crónicas da xávega (165)


hoje estou vivo

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eh! gente do mar. voltei!

estou de regresso
ao mar à ria
a uma certa forma
líquida
de ter casa onde
navegam
amigos muitos

sorrio
porque ainda
ainda estou cá

os dias bebo-os todos
como se os últimos
porque se não repetem

estou vivo, caramba

hoje estou vivo

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estou de volta, ti horácio!

(torreira; companha do marco; 2014)

 

crónicas da xávega (163)


hoje sou memória

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o M. Fátima

pesam em mim gerações
que desconheço

enterrados na memória
comum de um povo
os meus maiores

entre mim e eles o ser eu
a continuação
existo por que existiram
isso lhes devo

quisera soubessem que
os lembro
porque continuam em mim

hoje sou memória

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na areia um barco só pode morrer ou descansar

(praia da torreira; 2013)

os moliceiros têm vela (213)


hoje quero ser vela

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a ilusão é estarem juntos
porque deviam

a realidade é a ilusão
ser só isso

contenta-te com o que vês
e sê feliz

se as velas fossem asas
haveria quem as quisesse
roubar

mas são apenas asas
não servem para voar

hoje quero ser vela

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(torreira; regata da ria: 2010)