uma mão

uma mão apenas uma mão enorme porém essa que se estende quando que estendo se fala por uma mão as que me negaram
por que não quero escrever
nada mais resta que uma varanda sobre o tempo uma corda tensa a prender os dias nada mais que uma visão coberta de silêncios e vozes idas nada mais que palavras inventadas onde já não as há caminhos feitos muitos por fazer uma corda esticada sobre os dias procura uma guitarra que certo é o fado
águas vivas outras as artes outras redes malhas mais finas prenderam o sonho o sol uma vida o testemunho do tempo o olhar a guardar a memória onde agora safam-se os dias onde algas secas ainda a paciência é a arte da sobrevivência a reinvenção dos dias é um tempo cheio de tempo uma navegação em águas vivas porque revividas
(torreira; safar redes; 2019)
mais que o nome a alcunha conta uma história assim os pescadores a do henrique nunca a soube nem é aqui lugar para homem rico o henrique de duas alcunhas penso ser dono haverás mais ricos de alcunhas claro mas de voz mais nenhum safa as redes como todos não safa a vida
torreira; porto de abrigo; 2013