assim
na leira das palavras esgotou-se a terra cansada seca entre ser e dizer um deserto mal povoado fraca a seara onde suor tanto aos pardais as sementes satisfazem pouco é muito
aos amigos
aos amigos o abraço braços de dar aos amigos ainda mesmo se aos amigos sempre só porque pela metade nada nunca que só tudo aos amigos por entre os braços a rede corre como o tempo que os levou e os trouxe nem sempre partiram como chegaram amigos foram incertos no tempo de ser aos amigos o abraço o abraço aos amigos sempre
nada
nada se repete nada é o mesmo nunca chegarei sem regressar cansado de ver desiludido de conhecer de já o saber a costa é longa diversos os homens não as raízes são cada dia mais ténues os elos que a desilusão corroeu outros homens virão outros eus mais sábios o mar de antes de sempre não é de ninguém mesmo de quem dele dono se julga fábrica de desilusões este estar aqui ainda por entre os dedos escorreram os dias e os homens
caminho andado
caminho descalço pelos dias de estar aqui olhos abertos como mãos em tempo de fruta madura caminho descalço dorido de tantos cacos pedras vidros pregos recuso o conforto da cegueira auto imposta felicidade falsa de luas inventadas doem-me os olhos de ser
