crónicas a xávega (356)


2005 ano um

torreira; 2005

em 2005 aparece na praia da torreira um barco “novo”. o m. fátima de marco silva, regressado do luxemburgo.


o barco pertencera ao arrais bolacha e chamava-se sra da aparecida.


faz-se ao mar com alfredo brandão (pirolito) como arrais de mar e o apoio em terra do experiente antónio trabalhito (barbeiro), entretanto falecido.


de costas, agarrado ao vertente, o estrela – que também já partiu para outro mares, mais distantes.

crónicas da xávega (355)


2020 ano a zero

torreira; 2005

em 2005 começou a minha aventura na fotografia digital.


não sou “de fotografar tudo”, tenho os meus temas, sempre os tive. de entre eles o retrato e a xávega começaram por se destacar na era digital, sem quaisquer pretensões.


desde 2005, ano após ano, fotografei a xávega em várias praias da nossa costa. andei por aí.


2020 é o primeiro ano em que não faço uma única foto de xávega, uma única. causas várias em que o covid também tem a sua importância.


neste registo de 2005, fica a memória de um barco: o s. pedro. era propriedade do arrais manuel dias da torreira (é ele que está na bica da ré). anos mais tarde foi comprado pelo arrais zé murta (falecido) que, depois de reparação foi rebaptizado com o nome de “olá s. pedro”.
viria depois a ser vendido para a praia de pedrógão.


a fotografia permite estas viagens.

postais da ria (365)


o silêncio é uma vela

torreira; regata do s. paio; 2020
começas a escrever os dias
a repetir a palavra ontem
cada dia mais vazia de vida
mais cheia de memória


em ti habitam os que partiram
em ti se demoram
no sobrevoar da ria tão deles


olhas como te ensinaram
e lembras os nomes os rostos
ainda ouves as vozes


o silêncio é um barco
e tu a vela que o tempo enche

postais da ria (363)


chama-se dinis

(torreira; corrida de chinchorros; s paio; 2020)


para quem não conhece, nas festas do s. paio da torreira realizam-se sempre duas regatas à vela ( moliceiros e bateiras) e uma corrida a remos (chinchorros)


este ano a bateira chinchorra vencedora foi a “dinis”.


a estrear, foi feita pelo mestre zé rito, para o neto zé pedro, que lhe deu o nome do irmão, dinis.

na foto vê-se, de pé e em tronco nu, o pai do zé pedro e do dinis, alfredo miranda.

para todos os meus parabéns e um abraço

os moliceiros têm vela (421)


aos amigos

(torreira; regata do s. paio; 2020)

a alegria de estar na ria com os amigos e assistir ao espectáculo das regatas, é um acontecimento que não perco, que não perderei enquanto puder.


o agradecimento ao quim calmaria pela forma como está sempre pronto para mais uma regata e o saber “o que os fotógrafos querem”. boa safra nos mares do norte, quim


ao jim por ter “estado de prontidão” com a sua chata, para o caso de aparecerem amigos à última da hora e que quisessem acompanhar a regata no meio da ria.

ao jorge bacelar, ao silva tavares, à isabel lobo e ao pedro (que vieram de lisboa e do porto, de propósito), pela alegria de estarmos juntos e acontecer fotografia


ao amigo que, do paredão, quando viu chegar a chata, gritou “ah gorim!” – há quantos anos não se ouvia este grito na ria…


haja saúde e para o ano lá estaremos

crónicas da xávega (352)


o homem

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torreira; 2013

 
democráticos vos digo
de tão diversos
 
os que sombra projectam
e são a luz silenciosa
 
os que passam e nem se sabem
e existem porque sim
 
os tantos tão piquenos e reles
que nem pisá-los pois sujos
ficamos de ignorar são
 
bem pode quem vos fez
limpar as mãos à parede
como diz o povo
 
como drummond questiono
“que coisa é o homem?
existe o homem?”
 
na areia da praia um homem
tenta salvar a espécie