crónicas da xávega (172)


como ficar calado?

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a vida de pescador é dura, muito dura

no dia em que o furão vaidoso engorda a sua luxuosa reforma, com a entrada para presidente não executivo de um grande grupo bancário, nesse mesmo dia, hoje, um pescador da torreira de baixa por doença grave, diz-me na praia:

– estou de baixa cravo e recebo e … euros por mês (tenho vergonha de escrever o valor)

é esta sociedade a que eu me recuso a pertencer e a não denunciar.

só respeito os homens que se ajoelham perante deus, porque acreditam e eu não.

os mais, queria-os de pé, como se tivessem pernas dentro da cabeça.

isso sonho

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o horácio, a manga da rede e o alador

(torreira; 2012)

regata da ria 2016 (8)


das pequenas coisas e dos sinais

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qualquer um de nós, quando nos dão a ler um contrato ou um outro documento, procura logo as letras pequenas – por vezes no fim da página, da última página de preferência. é que todos sabemos que aquelas letrinhas, tão bem arrumadinhas e às vezes difíceis de ler é que nos podem “tramar” um dia.

um exemplo diferente de detalhe errado, foi a publicação no meu blog e no face, da receita da caldeirada de enguias à murtoseira. para a ilustrar servi-me de uma foto tirada a uma caldeirada, feita nas margens da ria por um pescador da torreira, que as tinha apanhado à chincha com uns amigos. por azar a caldeirada feita por ele e, segundo me disse, já ganhadora de prémios, levava pimentos, que apareciam na fotografia. ao publicar o artigo, com a receita correcta, herdada dos meus tios avós, não reparei neste detalhe, mas houve logo, peritos em culinária que reclamaram, e bem, do facto de a receita da caldeirada à murtoseira não levar pimentos e eles aparecerem na fotografia. é assim, um pequeno detalhe e …. a fotografia está lá a eternizar o erro ou a correcção. (ver publicação : https://ahcravo.com/2013/02/25/caldeirada-de-enguias-a-murtoseira/)

dir-vos-ia ainda que em fotografia, como em história, só vê bem ao longe, quem vê bem ao perto.

posto isto, era exactamente das pequenas coisas que eu queria falar, para quase acabar esta série de crónicas sobre a regata da ria 2016.

do que vi e ouvi:

o kite surf esteve lá mas incomodou pouco

o kite surf durou pouco e não perturbou

o “Manuel Vieira” foi um dos dois barcos pintados de novo e não teve prémio de pintura

a câmara cedeu uma pequena carrinha para trazer de aveiro os moliceiros que não tinham transporte (mas, azar dos diabos, tinha aquele símbolo de transporte de deficientes)

os kite surfistas tiveram direito a uma camioneta das grandes

são tudo sinais que podem ser pequenos, mas que deixam marca.

o kite entrou na regata de mansinho, mas entrou. e de futuro como será? não vos preocupa? é um desporto radical que pode trazer muita gente à ria, é bem vindo mas …. “a cena é outra”.

porque é que no cartaz da regata da ria o kite surf aparece com letra pequena e na página do município da murtosa, não é destacado como a regata? será estranho, ou letras pequenas no cartaz bastavam?

o júri dos painéis, como foi salientado pelo presidente da câmara de aveiro, não percebia nada de pinturas, não eram artistas, eram autarcas. tudo bem. mas deviam saber quais os eram os barcos que foram pintados de novo e qual era o espírito que levou a que se fizesse a regata da ria: “pintar os painéis”. será que o ti manel valas que pintou de novo os painéis do barco e não recebeu prémio, ficou com vontade de voltar a repetir o investimento?

no meio disto tudo até dou de barato algumas das notas que fiz acima, a regata correu bem, toda a gente gostou, eu fiquei a conhecer melhor alguns “amigos”, gostei que amigos virtuais se tornassem reais e de ver muita gente a fotografar a regata.

para o ano, se cá estiver, espero que muito do que disse até este quase ponto final, seja dito por outros, por gente da terra e que aqui vive, não seja sequer necessário ou que tudo vá bem no reino da dinamarca.

marcou-me nestes dias uma frase: EU DOU-ME BEM COM ELES PORQUE FAÇO TUDO O QUE ELES MANDAM

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postais da ria (176)


também não sei

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quando tiver vela será livre

(que coisa é o homem?
carlos drummond de andrade)

que coisa é o homem?
não sei carlos
sei que existe
e tu até disso
duvidavas

conhecer o homem?
tarefa vã me parece
por mais que viva
por mais que tente
entender o homem
uma surpresa
nem sempre boa
a destruir a bondade
que o homem devia ser

que coisa é o homem?
boa pergunta carlos

também não sei

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encalhada e bela, nada mais digo dela

regata da ria 2016 (7)


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cavilha de madeira no casco de um moliceiro

vamos às contas (para que fique escrito)

…………….
“…. 16,930€ acordados para a regata de 2015, …… valores similares pagos aos moliceiros, quer em 2013, quer em 2014, rondando os 50.000€….. “

(extracto de um documento que tenho em minha posse)
………….
sublinho a afirmação “valores similares pagos aos moliceiros”, afinal os moliceiros não têm razão de queixa, ou será que há aqui alguma confusão.

melhor seria aclararmos um facto: há os valores pagos aos moliceiros e os valores entregues à organização da regata da ria.

separemos os valores.

partindo de informações que obtive junto dos moliceiros concorrentes e somando:

pagamentos aos moliceiros

2014 – prémios de presença: 6.000 euros; prémios de painéis: 1.000 euros; prémios de regata: 550 euros. EM 2014 OS MOLICEIROS SÓ RECEBERAM 7.550 EUROS!!!

2015 – prémios de presença: 6.000 euros; prémios de painéis: 1.000 euros; prémios de regata: 600 euros, prémio tradição: 800 euros. EM 2015 OS MOLICEIROS SÓ RECEBERAM 8.300 EUROS!!!

2016 – prémios de presença: 6.600 euros; prémios de painéis: 1.000 euros; prémios de regata: 600 euros, prémio tradição: 800 euros. EM 2016 OS MOLICEIROS SÓ RECEBERAM 9.000 EUROS!!!

pagamentos à organização

de acordo com o documento citado no início, foram perto de 17.000 euros ano, podemos partir de princípio, até prova em contrário, que em 2016 o valor terá sido o mesmo.

fazendo umas fáceis contas de subtrair, pode-se ver com quanto poderá ter ficado a organização da regata em cada ano: 2014 – cerca de 9.500 euros; 2015 – cerca de 8.700 euros; 2016 – cerca de 8.000 euros

para receber tanto dinheiro, a organização deve ter encargos muito grandes com a regata, não acham? mas encargos com quê?
2 almoços (para os concorrentes)
seguros
licenças
medalhas e taças
outras despesas

será que alguém acha que estes encargos chegam perto de 1.000 euros? e mesmo se chegarem a 2.000, um absurdo, ainda fica muito dinheiro. façam vocês as contas que eu não sou capaz, não é uma questão de matemática, é de princípios.

QUEM É QUE QUER CONCORRER À ORGANIZAÇÃO DE UMA REGATA DA RIA? SÃO VALORES INTERESSANTES QUE FAZEM SEMPRE FALTA A GENTE DESINTERESSADA.

(desculpem, esqueci-me de uma coisa, se calhar não é por concurso, estou cada vez mais cego)

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regata da ria 2016 (6)


parabéns zé rito, bravo maria emília prado e castro

classificação da prova de pintura de painéis:

1º Zé Rito

2º Marco Silva

3º O Amador

4º A. Rendeiro

5º Sermar

no final da decisão do júri, foi entregue pela organização a totalidade do valor devido aos donos dos moliceiros, pela participação e competição ( regata e painéis). foi cumprido o prometido.

não houve alteração de valores em relação ao ano passado – eu esperava algo mais, mas quem me manda a mim sonhar? – e na regata só houve prémios monetários até ao 3º classificado, quando o usual era ir até ao quinto.

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maria emília prado e castro a escoar o S. Salvador

 

mas na publicação de hoje, sobre a regata da ria de 2016, queria contar-vos a história de um barco, o S. Salvador.

construído pelo mestre antónio esteves ( pardaleiro) para a junta de freguesia de s. salvador, ílhavo – penso que em torno de 2010 – chegou a participar em algumas regatas, com tripulantes locais.

em 2013, depois de reparado e aparelhado por marco silva, participou na regata da ria e venceu-a, tendo como arrais marco silva.

em 2014, por dificuldades financeiras não participou em qualquer regata e, comprado em hasta pública por miguel matias, só viria a participar na regata da ria 2015.

em 2016, foi vendido por miguel matias a maria emília prado e castro, que lhe botou vela e participou na regata, com o apoio de alfredo rebelo e sérgio silva, garantindo um honroso 5º lugar.

é para ela o meu bravo, à mulher que sentiu que um verdadeiro moliceiro é para ter vela e andar na ria.

bravo, maria emília prado e castro, dona de um moliceiro, que não tem medo de pegar num vertedouro e escoar água do seu barco. uma mulher assim, só pode ser admirada por todos os que amam os moliceiros tradicionais e entendem que a história se faz todos os dias e por cada um de nós.

acho que posso falar por todos os moliceiros se disser de novo:

BRAVO! MARIA EMÍLIA PRADO E CASTRO

(nota, a breve história que aqui apresentei do S. Salvador, poderá ter alguns lapsos de datas, por falta de elementos concretos e atempados, mas não andará muito longe da realidade)

regata da ria 2016 (5)


abraço ti virgílio, parabéns zé rito
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o “cristina e sara” do ti virgílio na regata da ria 2010

depois de ter assistido a mais uma regata da ria, queria saudar aqui o ti VIRGÍLIO, que deixou de participar nas regatas, por ter ficado sem barco, o seu belíssimo “Cristina e Sara”, que não voltaremos a ver.
é dele e do seu barco a foto com que celebro a regata de 2016, a primeira a que assisto sem ele. lembro que quando em 2012, fomos a aveiro em protesto contra o cancelamento da regata, o ti VIRGÍLIO foi um dos poucos moliceiros que participou.
para o ti VIRGÍLIO o meu abraço.
este ano participaram na regata 8 moliceiros da classe A – grandes- e 3 da classe B -pequenos
classificação final:
Classe A
1º Zé Rito
2º A. Rendeiro
3º Marco Silva
4º Manuel Vieira
5º S. Salvador
6º O Amador
7º Dos Netos
8º Câmara Municipal da Murtosa
Classe B
1º Pequenito
2º Sermar
(o Ecomoliceiro – não terminou)
parabéns, zé rito
a regata terminou em aveiro, recebida pelas entidades oficiais habituais, que cumprimentaram e felicitaram todos os concorrentes.
MEUS AMIGOS, NÃO ESTAVA LÁ NENHUMA!!!!!!!!!!!!!!

regata da ria 2016 (4)


pintura geral

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ao mestre construtor, que fez a reparação de manutenção do moliceiro, poderá também competir, dependendo do contratado, a pintura geral da embarcação.

neste registo o mestre zé rito, com o moliceiro virado, dá início à pintura exterior.

com esta foto termina a descrição sumária do “antes da regata”, amanhã é dia dela.

um dia que ficará tristemente para a história, com a associação do kite surf à regata da ria.

para além de lamentável em si mesmo, porque se intromete num evento de cariz tradicional, é mais grave ainda porque apadrinhado pela entidade organizadora da regata – o rancho folclórico camponeses da beira ria -, pelo município da murtosa – quer institucionalmente, quer através do presidente do rancho folclórico que é vereador da câmara – e, espante-se, porque aos moliceiros participantes da regata nada foi dito a este respeito.

mas nesta terra, como dizia um amigo meu, já nem me espanta ver um porco a andar de bicicleta.

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(torreira; 30 de junho, 2016)