regata da ria 2016 (3)


reparação e manutenção dos moliceiros

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o mestre zé rito

depois de quase um ano a céu aberto, em seco e na água, a estrutura dos moliceiros sofre sempre deterioração.

por isso, para poderem participar na regata, é necessário proceder à revisão do estado geral da estrutura e proceder às operações de reparação necessárias.

na publicação anterior falei das pinturas, nesta é a vez de falar da arte de carpintaria naval.

a maior parte dos moliceiros que correm nas regatas e não pertencem a nenhum mestre construtor, vem à revisão e reparação, no estaleiro do mestre zé rito, na torreira.

neste registo vê-se o mestre a reparar o bordo de um moliceiro, mas a actividade nas semanas que precedem a regata da ria, a primeira de cada ano, é grande.

aproveito para relembrar, que se o dono de um moliceiro resolver pintar de novo o barco, muitas vezes precisa, e fazer as reparações necessárias para fazer as regatas em segurança, não lhe bastam os prémios de presença e competição -se ganhar algum – para cobrir todas as despesas.

não digo mais nada, porque o resto já imaginam, depois de tudo o que tenho vindo escrever a este respeito.

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(torreira; 29 de junho de 2016)

regata da ria 2016 (2)


as pinturas dos painéis e as decorações dos moliceiros

 

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a beleza do moliceiro não reside somente na elegância da suas linhas, as pinturas dos painéis da proa e da ré, fazem de uma regata de moliceiros a única “galeria de pintura flutuante e em movimento” em todo o mundo.

há 25 anos que o pintor josé manuel oliveira e, nos últimos anos, o pai , necas lamarão, se dedicam à pintura de painéis e decorações dos moliceiros.

da invenção da pintura às legendas, são eles, raramente com a ajuda dos donos dos moliceiros, que fazem este reencontro com a tradição.

nem sempre é fácil conseguir juntar pai e filho no mesmo registo, não é fácil mas, desta vez , consegui.

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(torreira; 27 de junho de 2016)

joão damasceno na casa da escrita (excertos)


coimbra, 28 de junho de 2016.


há exactamente 6 anos, o poeta joão damasceno partiu e deixou-nos as suas palavras, ou seja, ficou mesmo tendo partido.

deixou-nos um livro por editar ” CARTA DE PROBABILIDADES DE EROSÃO CELESTE”. o lançamento desse livro – composto e impresso pelo irmão rui damasceno, na tipografia da família – realizou-se hoje na casa da escrita, em coimbra.

este vídeo pretende apenas mostrar alguns excertos da homenagem.

a seu tempo publicarei a versão integral.

hoje houve uma geração que se chamou “joão damasceno” .

(a sessão foi aberta pelo curador da casa da escrita,  antónio vilhena, e a apresentação do poeta feita por joão rasteiro. paulo archer falou sobre a obra e a vida do amigo joão. a poesia foi dita pelo irmão rui damasceno acompanhado pelo sobrinho pedro damasceno)

regata da ria 2016 (1)


o homem e o Homem

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nunca saberás a força
que os move
o amor nesta mãos
floresce vela

a ciência que ambiciona
tudo querer explicar
queda-se muda
perante estes homens

do amor que os cega
se valem os que nada mais vêem
que dinheiro fácil

de muito poucos
se refazem muitos e remoçam

a regata da ria 2016
começou
quisera eu algo mais

o homem é o maior
inimigo do Homem

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(torreira; 27 junho de 2016)

os moliceiros têm vela (223)


a fotografia, a tradição, a memória e os interesses

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a limpidez da memória no registo do momento

não há nada pior que um povo sem história, não é povo sequer. e o que é a história senão o somatório das memórias preservadas?

a fotografia é, desde que surgiu, mais um instrumento de construção da história, porque produtora de memória, com a relevância de ser um registo visual e de impacto.

desdenhar da fotografia é desdenhar da história e da memória. é desdenhar do povo e da sua cultura.

sujar o campo visual da reconstrução da memória é sujar a memória do registo intemporal, quem dera, do momento.

entendam agora porque sou contra o acompanhamento da “regata da ria” por praticantes de kite surf: sujam a memória, impedem o registo limpo de um tempo recuperado.

virá o tempo em que perguntarão porque se estragaram momentos tão belos. mas será tarde para impedir a ganância de alguns, a ignorância de outros, a falta de cultura de muitos e a indiferença da maioria.

poderíamos cantar aqui, assim: assim se desfaz portugal!

0 ahcravo_DSC_1442_regata bico 2012, a partida

é tão frágil esta beleza perante a ignorância

(murtosa; regata do bico; 2012)

os moliceiros têm vela (222)


até amanhã ao sol

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estou cansado
de tantas lutas
tantos anos

dou-me porque sim

porque sou
esta cabeça lucidamente
tonta de tanto sonho

continuo a não ser daqui
sem saber de onde sou

mas continuo
não precisam de contar
comigo eu conto

pararei quando
chegar o dia de parar
de vez de vez

até amanhã ao sol

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(torreira; regata do s. paio; 2015)

crónicas da xávega (170)


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2009, a muleta tradicional

sou
o que se foi fazendo
os princípios sempre
as pedras e os afagos também
não o outro o que gostariam
que apesar tudo
continuasse
a ser

o que me dói ser assim
o ter chegado ao que sou
eu por dentro e por fora de mim
escrevo-o com lágrimas
e raiva raiva raiva raiva

um dia vou acordar nunca
para ser eu

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com o tempo muito se altera, as coisas e as pessoas. já lá vão 7 anos

(torreira; companha do marco; 2009)