os moliceiros têm vela (221)


parabéns “marco silva”

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o “marco silva” a caminho da sua primeira vitória: “regata da ria, 2015”

o moliceiro “marco silva” faz hoje um ano. parabéns ao mestre, parabéns ao barco, parabéns a todos os que gostam de moliceiros e lutam pela tradição dos moliceiros à vela.

relembro o vídeo que fiz do bota-abaixo

mas, hoje, estão de parabéns todos os moliceiros que participaram na regata de 2015 e que, pelas suas prestações, tiveram direito a receber prémios de classificação na regata e de pinturas.

é que, finalmente foram pagos. é verdade. depois de ter divulgado o atraso nos pagamentos em publicação no facebook no dia 12 de maio (https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10201722706465353&set=gm.1739693149645723&type=3&theater) e no meu blog (https://ahcravo.com/2016/05/12/os-moliceiros-tem-vela-210/ ) houve quem enviasse email para a comunidade intermunicipal da ria de aveiro denunciando o que se passava.

não interessa quem foram, não interessa quantos foram, sabem os que o fizeram, como sabem os que nada fizeram.

a comunidade intermunicipal da região de aveiro, através de diligências do seu secretário-geral, providenciou o pagamento em falta, não porque ainda não o tivesse feito, mas porque a associação a quem entregou a organização não o fez. Informou também que seria adoptado novo modelo de organização da regata e pagamentos.

neste momento está tudo regularizado e, esperemos, o novo modo de procedimentos, não permita novos atrasos.

espero que não, para bem de todos e sossego de muitos.

amigos, valeu a pena.

termino como comecei, parabéns “marco silva”, pelo aniversário, parabéns a todos os moliceiros que continuam na luta pela tradição.

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e o “marco silva” ganhou a primeira regata em que participou

postais da ria (173)


as mulheres da torreira

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a lurdes (orelhas) varre a bateira e a seguir o orelhas (henrique) bota o breu

elas vendem peixe
são mães
criam filhos e netos

elas vão ao rio
cozinham
lavam a roupa

elas safam redes
tratam da casa
fazem as contas

elas são
as mulheres da torreira

eles são
os homens delas

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o casal orelhas e o trabalho de equipa

(torreira; junho, 2016)

o primeiro do lanço do M. Fátima


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construído pelo arrais marco silva, na torreira, o M. Fátima fez o seu primeiro lanço no dia 11 de junho de 2016.

desses momentos, aguardados com ansiedade por familiares e amigos, fica aqui o testemunho para memória futura.

se já há 10 anos que é arrais, marco silva é também mestre construtor naval, com um moliceiro, um barco de mar, uma bateira mercantela e várias bateiras caçadeiras por si construídas.

ao novo barco, a este homem de sete ofícios e a todos os seus familiares e companha, desejo muitas e boas safras. possa eu assistir ainda a bastantes.

felicidades arrais/mestre marco silva

 

os moliceiros têm vela (220)


hoje estou longe

KONICA MINOLTA DIGITAL CAMERA

o ti virgílio no sara e cristina

na terra ficaram poucos
que de pobre
futuro lhes negava

pouco levaram que
nada tinham
a não ser a memória

partiram muitos
mais que os que ficaram
à espera de vez
ou do regresso dos que
tinham partido

onde quer que estejam
estão sempre aqui
nestas palavras e imagens
onde também eu

abraço-os a todos
porque como sempre

hoje estou longe

KONICA MINOLTA DIGITAL CAMERA

um senhor no seu moliceirinho, o ti virgílio

(murtosa; regata do bico; 2008)

postais da ria (172)


os meu amigos da ria

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o meu amigo joão magina

os chocos não conhecem
esta bateira

dizia o joão hoje à tarde

a ria anda assim
o berbigão e ameijoa
onde estão?

o choco não entra
ao norte do porto de abrigo
quantas redes?

até quando a ria?

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a safar as redes da solheira

(torreira; 15 junho, 2016)

crónicas da xávega (169)


hoje sou puto

(para o meu amigo ricardo)

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o ricardo, o sílvio e ao fundo a aurora e a cacilda

continuo a chamar-te puto
e já és maior que eu
mas eu também envelheci
não é puto?

o barco é novo mas nós
conhecemo-nos
no primeiro M. Fátima
e cá estamos

tu feito um homem de mar
eu com a minha máquina
a salgar imagens na memória

olha ricardo
quando digo “puto”
também eu
continuo a pensar
que não envelheci

já lá vão onze anos
puto
onze anos e foi ontem

mas hoje
hoje sou como tu

hoje sou puto

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o ricardo e o calão

(torreira; companha do marco; 2016)

os moliceiros têm vela (219)


da memória e das palavras

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o ti zé rebeço

olho para a foto do ti zé rebeço e lembro-me dos meus tempos de canalha e de quando ia comprar leite a casa dos pais dele, mesmo em frente à dos meus.

e a palavra “canalha”, lembra-me outra que o meu tio avô, césar gorim, costumava usar numa frase que amiúde lhe ouvia – “são uns garotos” – e que ainda ouço na boca do ti zé rebeço.

na murtosa, quando as pessoas diziam “canalha”, referiam-se à “miudagem” e quando se usava a palavra “garoto”, era para classificar aqueles que usando calças se julgavam homens e faltavam à palavra dada, aldrabavam, enfim…….

hoje, se digo “garoto” refiro-me a um miúdo, e se digo “canalha” é insulto e toda a gente o sabe.

voltando ao ti zé rebeço e à memória de um tempo, usando as palavras dessa época e da terra, queria dizer:

– cada vez há menos canalha por aí e garotos, infelizmente, ainda continuam a abundar
(torreira; regata da ria; 2011)

postais da ria (171)


hoje sou âncora

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o joão gordo a cirandar

já não procuro as raízes
onde a árvore
encontrou a terra e se fez

bem fundo
na água salobra da ria
no mar da torreira

no nome herdado
não o do cartão
mas a alcunha

mais que cravo
sou gorim

quem se lembra
da ti apolónia
do gorim?

serei o último
nesta terra que os viu nascer
e pouco ou nada
deles sabe

em newark
os cravos gorins são
memória emigrada
os últimos também

hoje sou âncora
varada na areia de uma praia
condenada ao abandono

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uma caixa de fruta, o fundo alterado e …. temos uma ciranda e a criatividade do pescador

(torreira; junho, 2016)

cróicas da xávega (168)


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haja mar! temos barco

11 de junho de 2016
o novo M. Fátima
foi pela primeira vez ao mar

longa vida ao barco
sejam fartas as safras
unida a companha

força arrais marco silva
mestre construtor de barcos
e de dias melhores

parabéns
a todos familiares
que neste dia

disseram: presente!

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um barco que parece voar

(torreira; companha do marco; 2016)

os moliceiros têm vela (218)


assassino

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pelo mesmo nome responde o homem e o barco

enorme o barco
maior o homem

respondem pelo
mesmo nome
e não sei quem
primeiro foi

se o barco
se o homem

morrerá o barco
com ele o homem

digo então
que quem matar o barco
mata o homem

não importa
se por ignorância
ou incúria

quem o fizer
será sempre

assassino

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sempre pronto para a brincadeira, um moliceiro com paixão, o ti abílio

(torreira; regata da ria ; 2011)