da vida

o que não presta
nunca prestou
se hoje te desilude
foi porque te enganou

(corrida chinchorros; s. paio; 2016)
da vida

o que não presta
nunca prestou
se hoje te desilude
foi porque te enganou

(corrida chinchorros; s. paio; 2016)
(in)vivências

do que teve azar ao jogo
têm pena
e foi porque quis
do que teve azar na vida
desdenham
e foi porque o traíram
(torreira; corrida de chinchorros; 2016)
regresso ao início

safar redes
de todos os passos
não renego um
sou todo neles
o que sou é o ter sido
não gostaria de ser outro
seria de novo
para ser hoje

(torreira; porto de abrigo)
depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira
(torreira; 2017)
depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira
manda quem pode

tradicionalmente as regatas do s. paio da torreira realizam-se no fim de semana: no sábado a regata de bateiras à vela e a corrida de chinchorros ( a mais emocionante de todas), no domingo a regata de moliceiros.
estranhamente, este ano, a corrida de chinchorros vai ser na quinta-feira dia 7. assim quem só tiver o fim de semana livre, ou vier de fora para assistir às regatas, não vai poder assistir às corridas de chinchorro.
é uma pena, porque é na corrida de chinchorros que se vivem os momentos mais emocionantes das regatas.
será que quem organiza as regatas e é por ela responsável – executivo municipal ou comissão de festas – alguma vez assistiu com olhos de ver às corridas de chinchorros?
alguma vez o horário das marés impediu que a regata de bateiras à vela e a corrida de chinchorros se realizasse no mesmo dia?
alguma vez viram/sentiram a festa que é para os pescadores o participar na corrida de chinchorros e como essa festa deve ser partilhada pelo maior número de pessoas possível?
caros senhores que nestas coisas mandais, parai para pensar e se motivos de muita força vos fizeram mudar a corrida para quinta-feira, pensai na força que perde a força maior das regatas : os pescadores da torreira.
gostava de não escrever o que aqui digo, mas custava-me mais nada dizer.
lá estarei, porque reformado, porque ainda posso. mas lamento os amigos que trabalham, os que vêm de longe e pensavam ver as regatas todas e, alguns já o manifestaram, vão perder a mais emocionante.

fica o vídeo que fiz o ano passado para que sintam, os que decidem, e vejam os que, com esta decisão, não vão poder ver.
(corrida de chinchorros; s. paio, 2016)
com palavras

lavo as feridas
com palavras
escrevo-me
conto-nos
o fim é outro
início
com palavras
lavo as feridas
(torreira; 2016)
depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira
da vida

o meu amigo norberto
só a incerteza
é certa
assim vivo

(safar redes; torreira; 2017)
depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira
(torreira; junho, 2017)