percurso
de desilusão
em desilusão
até à ilusão final

mexer
(armazéns de lavos; mexer; 2017)
percurso
de desilusão
em desilusão
até à ilusão final

mexer
(armazéns de lavos; mexer; 2017)
herança
dou-te o que me deram
serás não o que fui
mas mais muito mais
que doutras artes
mestre serás
serei em ti
a memória do gesto
do saber antigo
doutras vidas
herança de saberes
a que te deixo
farás por mim sal

(morraceira; 2016; rer)
amar o sal
escrevo sorriso
com s de sal
sou feliz aqui

gilda saraiva, presidente da figueirasal – associação de produtores de sal do salgado da figueira da foz
(armazéns de lavos; achegar; 2016)
hoje, dia 11 de janeiro, coincidência ou não, mas já havia protecção – móvel, mas havia.

prever e planear são duas coisas frequentemente estranhas entre nós.
era de prever que aqueles socalcos eram perigosos, logo deveria ter sido planeada e projectada protecção física impedindo quedas, a incluir na obra.
mas não, agora é preciso levantar pedras, implantar apoios para as protecções, voltar a regularizar calçada …. enfim, o povo paga.
para se ter uma ideia do espaço entre a saída do quiosque e a protecção, agora colocada, veja-se a foto seguinte:

sem comentários.
esperemos agora que a protecção fixa, definitiva, seja colocada.
até agora não se magoou ninguém, nem me parece que, com estas medidas provisórias se venha a magoar.
se foi por publicações no face, se por reclamações em sítios apropriados, nunca o saberemos. o que sabemos é que poucos dias depois da publicação que fiz e divulguei aqui está, coincidência ou não, o que se pretendia: a segurança dos cidadãos.

o quiosque e os socalcos
as obras continuam no cruzamento da joaquim sotto mayor com a rancho das cantarinhas continuam. continuam…..
eu cidadão confesso que não sei como ficará tudo, nem quando vão acabar. não há qualquer informação municipal sobre o quê, o como e até quando – uma placa de obra elucidativa, como mandam as regras.
mas não é isso que me preocupa agora. o que me preocupa são os “socalcos” em frente ao quiosque: uma armadilha para qualquer pessoa, mesmo se atenta. perguntei se ia haver uma estrutura de protecção e a resposta foi não. o que é facto é que já ia uma pessoa caindo e não será novidade que venham a cair e a magoar-se seriamente.
para que fique claro o que digo, fotografei e medi. as medidas dos “socalcos” são as seguintes: altura total – 55 cm, largura média – 16 cm, altura dos socalcos – variável entre 15 e 20 cm.
(nota: um degrau, para o ser, deve ter a largura mínima de 25 cm ….. veja-se: (http://www.civil.uminho.pt/lftc/textos_files/construcoes/cp2/cap.%20i%20-%20escadas.pdf)
as fotografias mostram o que é e como está. não quero publicar fotografias de acidentados, por isso este alerta.
oxalá – e já um vizinho me disse que divulgou no face o que se está a passar, e foi à câmara questionar – tudo seja corrigido antes que o pior aconteça.
PORMENORES DOS “SOCALCOS”


a austeridade na terceira idade
é preciso salvar o país
ouviu
fez as contas à vida
e perguntou-se
quem me salva a mim
mas era tarde para fugir

(morraceira; enfeitar; 2016)
sal do mar
no primeiro dia do ano
seja do mar o sal
tempero dos dias a vir
sol que nos espera
sal do mar sol à mesa

(morraceira; rer; 2017)
é tarde
é tarde
é sempre tarde
depois de

(morraceira; rer; 2016)
de véspera

de véspera
fazer as malas
as despedidas
pôr o bacalhau de molho
de véspera
fazer a preparação
para o exame do dia seguinte
matar o perú
de véspera
a ansiedade porque
tentar dormir para
dizem de mim que cedo chego
de véspera
ninguém morre
ninguém nasce
de véspera
nem estas palavras

(praia de buarcos; 2016)
obrigado fernando

ando como se não soubesse
de outro caminho
o mar ao fundo os livros à mão
é dia de feira de rever amigos
da tertúlia das velharias
do fernando e da suméria onde
nunca fui como a quase tudo
as lombadas alinhadas
por temas e preços
bons os do fernando
patrono dos leitores ávidos
e pouco abonados
as primeiras as segundas
as que lhe calharam em sorte
os amigos agradecem
a atenção que lhes faz sempre
e são amigos todos
os que lhe compram livros
é sábado e eu não sei
se ainda há sábados para mim
todos os dias são domingo
para um reformado
ando como se não soubesse
de outro caminho
o mar ao fundo os livros à mão
comprei um livro
extraordinário
obrigado fernando

(buarcos, feira das velharias)