postais da ria (281)


mau feitio

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os rilho, pai e filho, a mesma faina

chamam-lhe rio
e é salgada a água

chamo-lhe memória
e é cada vez mais isto
imagens penduradas
nos olhos onde amigos
nascentes de sentir

chamo-lhe mar e digo
há outras praias
onde a mesma gente
com outros nomes
a mesma arte

tens mau feitio dizem
sabes não é fácil
ser rio de água salgada

(torreira; cirandar; 2016)

crónicas da xávega (283)


vou

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falo do incerto
do por vir

todo o início é

teremos o tamanho
dos dias
que fizermos nossos

todo o caminho é

falo dos amigos
e a palavra fica por vezes
somente letras

incertos os dias
o por vir os amigos o caminho
incerto eu

na incerteza de tudo
se abrem os dias
por onde vou vou vou

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(torreira; 2010)

desvários fotográficos

desvários fotográficos


lição do mar (1)

ouver o mar

lição no mar (2)

chove no mar
e eu
de olhos secos

(19/12/18, aqui)

lição no mar (3)

no embalar das ondas
adormeço
e sonho-me criança

(20/12/18; aqui)

lição do mar (4)

ouvir nas nuvens
a música do mar

(21/12/18; aqui)

lição no mar (5)

há quem venha de longe
só para o ver

eu preciso dele para ser

(22/12/18; aqui)

lição de mar (6)

no princípio era o mar
pelo menos para mim

no fim
no fim será também

(24/12/18, aqui)

lição no mar (7)

ilusão

como se o mar nascesse aqui
mas é o mar que ao mar torna

(25/12/18; aqui)

lição de mar (8)

nos penedos

trazem o mar no corpo
de tanto terem navegado

enjoam em terra

(25/12/18; aqui)

a apanhar caranguejo

lição no mar (9)

há em mim uma criança
que nunca deixou de sonhar

é ela é sempre ela
que pela mão
me leva para o mar

(26/12/18; aqui)