(torreira; 2016)
fotografias
postais da ria (544)
crónicas da xávega (589) – bota! 2025
mais um ou menos um
esquece o tempo dividido
nada é novo
tudo é continuação
sim é fácil desejar
difícil é fazer acontecer
por isso desejas
a guerra a fome a miséria
o sangue o terror
que ensopam a terra
são há muito desejo
de que acabem
e continuam continuam
faz da palavra acto
o pouco que vales
valerá mais
por isso não desejes
sê sujeito activo
nos dias a vir
não esqueças
a desumanidade não pára
(xávega; pancada de mar; torreira; 2016)
os moliceiros têm vela (560)
não foi falsa a partida
ti abílio
foi a sua vez foi sozinho
em 2024
a ria perdeu a brejeirice
perdeu-o
carteirista era a sua alcunha
ti abílio
nas regatas
não era a competição
era a participação
a justiça
um carteirista
a clamar justiça
só na ria
só você ti abílio
a sua regata chegou ao fim
em 2024
a nossa amizade continua
até eu partir
(ti abílio carteirista; s. paio; torreira; 2016)
“mãos de mar” uma exposição de ahcravo gorim
entra dentro do silêncio
fecha a porta
o filme é de outro tempo
do cinema mudo
entra dentro de ti
ouve o silêncio
fala dos retratos (140)
a beleza do sal (198)
postais da ria (543)
poemas de amor
gostava de os escrever
e de os entregar
aos senhores da guerra
aos donos da economia
assassinos de crianças
escorrem-me pelo rosto
amargura e vergonha
raiva e impotência
merda álvaro
também eu sou lúcido
não não sou daqui
recuso-me a ser
poemas de amor
não sei escrever
(porto de abrigo; torreira; 2009)
os moliceiros têm vela (559)
o meu reino não é
deste mundo
dizem que disseste
abro parêntesis
gosto muito de ler
vivo tudo o que leio
fecho parêntesis
olha meu caro
embora não tenha reino
e seja apenas aposentado
também não sou deste mundo
expulsaste os vendilhões
do templo dizem
melhor fora não que agora
não há templo que lhes baste
as águas por onde dizem
que andaste agora são
de sangue e não há peixes
pequenos só tubarões
abro parêntesis
não voltes outra vez
deixa-te estar sossegado
em belém só pastéis
fecho parêntesis
a realidade não é
um romance
é uma tragédia
(ria de aveiro; regata da ria; 2013)








