os moliceiros têm vela (227)


NÃO DEIXEM MORRER OS MOLICEIROS!

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momentos finais da regata da ria 2016.

os 3 primeiros estão definidos: em primeiro lugar o “Zé Rito”, em segundo o “A. Rendeiro” – por dentro – e em terceiro o “Marco Silva” – por fora.

até ao fim sempre juntos e com pouca diferença.

houve regata, sim, houve competição, sim. os moliceiros mostraram o que valem e como podem dar vida à ria.

NÃO DEIXEM MORRER OS MOLICEIROS!

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(regata da ria 2016)

construção de um moliceiro


3 de agosto

depois de fixada a bica da proa, continua-se o “folheamento” dos costados do moliceiro.

neste registo o ti zé rebeço, de passagem pelo estaleiro, ajuda a dobrar uma tábua afeiçoando-a ao costado, enquanto o mestre zé rito aperta a madeira com os “grampos”.

em breve o barco estará fechado.

uma coisa é verdade e constante na torreira: a construção de um moliceiro é ponto de encontro de todos, não falando das visitas.

o mestre não tem aprendizes: tem amigos

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2 de agosto

depois de colocadas as cavernas e os braços e com uma cinta de costado. faltava a colocação da bica da proa para que o moliceiro tivesse a sua forma final.

o mestre zé rito, ajudado pelo amigo nuno cunha (setenove) fixa a bica da proa.

a beleza do moliceiro enriquece-se a cada dia

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30 de julho

o molde

os mestres contrutores navais passavam aos aprendizes o seu saber não só pelo ensinamento das boas práticas, mas também pelos modelos de que serviam para a construção dos barcos.

os paus de pontos e os moldes, são dois exemplos.

neste registo o mestre zé rito, usa o molde das cavernas e braços – que lhe foi oferecido pelo mestre joaquim raimundo e posteriormente adaptado a seu gosto – para recortar mais um braço de um pedaço de pinheiro manso

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30 de julho

continuação da feitura e montagem dos braços. neste registo o “afeiçoar” de um braço

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29 de julho

o mestre zé rito a fazer “braços” e vê-se já o barco com tábuas de costado

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26 de julho

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18 de julho

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plantar uma árvore na ria


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já com sombra, o mestre zé rito e o zé rebelo (dono do barco) trabalham

à terra arrancada
seca cortada afeiçoada

da árvore a memória
reconstruída pelo homem

a reinvenção do barco

à sombra por fim oferta
o homem cresce
vergado ao peso da obra

amanhã vamos plantar
uma árvore na ria

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o zé rebelo aplica gordura para preservar a madeira

(torreira; 26 julho, 2016)

olhei e não vi


olhei e não vi

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olhei e não vi o barco
vi o esqueleto
a madeira

olhei e não vi o estaleiro
vi a areia o sol em brasa
o mestre as ferramentas
o suor no rosto

olhei e não vi nada
não posso ver

olhei só
e lembrei-me de ter visto
o mestre há alguns anos
no estaleiro à beira porta
a fazer o mesmo
construir um moliceiro
mas à sombra de uma rede
a dele

quanto mais olho
menos quero ver

asneira sobre asneira
se constroem os dias
se destrói o sonho
se enterra a memória

não escrevo para que gostem
registo para que se interroguem
passo e não vejo mas olho
e não resisto

até estar de férias aqui
começa a ser complicado
ser cego dói ver dói mais

todo o absurdo aqui é real

(torreira; 18 de julho de 2016)

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o mestre zé rito constrói mais um moliceiro, agora para o zé rebelo. ao lado ” ….O Museu-Estaleiro da Praia do Monte Branco, propriedade da Câmara Municipal da Murtosa,….”

regata da ria 2016 (conclusão)


obrigado ti abílio, obrigado reinaldo

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o moliceiro “Dos Netos” do ti abílio carteirista

com este apontamento, encerro o ciclo dedicado a algumas meditações sobre as regatas da ria em geral e da de 2016, com maior detalhe.

haja futuro para os moliceiros.

não podia deixar de abraçar aqui um moliceiro em particular: o meu amigo ti abílio carteirista, decano da regata – fará 80 anos este ano e está aí para as curvas.

depois de receber, como todos os moliceiros que participaram na regata, a medalha a que tinha direito, o ti abílio veio direito a mim – eu não tinha almoçado com eles – e ofereceu-me a medalha que era dele. de imediato o reinaldo belo, que conheci nesta regata, me ofereceu a dele também.

tudo decorreu sem espaventos, com simples troca de abraços entre amigos.

mas quero dizer-lhe, ti abílio, e a si também, reinaldo belo, que não tenho palavras para o vosso gesto.

por mais distinções que tenha tido ao longo da vida, nenhuma é maior e mais valiosa que estas ENORMES medalhas que guardarei comigo.

bem hajam os dois

em agosto, no bico, lá estaremos

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na regata são permitidos 3 tripulantes por barco, ao ti abílio, a fazer 80 anos, basto ele e mais um

(ria de aveiro; regata da ria; 2016)

regata da ria 2016 (9)


pensar o futuro apoiando os moliceiros

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nas velas dos moliceiros a memória de um povo

como já escrevi em publicação anterior, dos cerca de 17.000 euros que anualmente a comunidade intermunicipal da região de aveiro (CIRA) afecta à realização da regata da ria, por vezes nem 50% chega às mãos dos moliceiros – fica na organização.

não questiono porque é que a câmara municipal da murtosa pode organizar duas regatas por ano, sem precisar da intermediação de uma organização, seja de que tipo for, e a CIRA não o pode fazer; não questiono porque é que não o podendo fazer, não delega a sua organização na câmara da murtosa, que tem experiência suficiente nesta área.

não questionando nada disto e pensando somente na boa gestão do dinheiro de todos nós e na sua entrega a quem o merece, há que pensar em alternativas que, não aumentando significativamente, ou mesmo nada, façam com que a verba proveniente da CIRA e destinada aos moliceiros seja bem gerida.

uma primeira hipótese, e já a propus em sede própria, seria a atribuição de um apoio anual por cada barco, com condições a definir.

outra hipótese, e hoje inclino-me mais para esta, seria a realização de uma regata de competição, no terceiro domingo de agosto.

porquê esta data? em princípios de julho há a tradicional regata da ria, na primeira semana de agosto a regata do emigrante -no cais do bico – e na primeira semana de setembro a do s. paio, na torreira. assim na terceira semana de agosto, época alta, uma regata de competição animaria mais uma vez a ria.

para a regata de competição que proponho, e para efeitos de cálculo de custos, parti do seguinte cenário, optimista, em 2017:

classe A – 9 moliceiros (mais 1 que em 2016)

classe B – 3 moliceiros (os mesmos de 2016)

verba para a organização das duas regatas: 2.000 euros

financiamento garantido :

transferência de 17.000 euros (números redondos) da CIRA. não haverá possibilidade de angariar outros apoios financeiros junto de entidades privadas ou mesmo públicas?

a minha proposta é então a seguinte:

regata de competição

prémios

classe A : 1º- 1.000 euros; 2º – 900 euros; 3º- 800 euros; 4º – 700 euros; 5º – 600 euros; 6º ao 9 º – 500 euros

classe B – 1 º – 500 euros; 2º – 400 euros; 3º- 300 euros

valor total dos prémios: 7.200 euros

a regata da ria, tradicional, com este número de barcos e tendo como referência os valores de 2016, transferiria para os moliceiros, mais 700 euros – mais 1 moliceiro da classe A – ou seja, 9.700 euros.

valor total a ser entregue aos moliceiros nas duas regatas: 16.900 euros

valor, razoável, a atribuir à organização : 2.000 euros

valor total: 18.900 euros

ou seja, com mais 2.000 euros, do que o normalmente afectado pela CIRA à regata da ria, faz-se mais uma regata e distribui-se pelos moliceiros o que que lhes é devido; dá-se uma verba que é, na minha opinião, suficiente e deixa margem à organização, e anima-se em pleno agosto a ria de aveiro.

a proposta aqui fica. será difícil conseguir os 2.000 euros a mais? por 2.000 euros não haverá quem organize as duas regatas?

quem não quer mais uma regata de moliceiros em pleno agosto?

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haja quem queira, que há quem faça as velas povoarem a ria

(vela de moliceiro)

regata da ria 2016 (8)


das pequenas coisas e dos sinais

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qualquer um de nós, quando nos dão a ler um contrato ou um outro documento, procura logo as letras pequenas – por vezes no fim da página, da última página de preferência. é que todos sabemos que aquelas letrinhas, tão bem arrumadinhas e às vezes difíceis de ler é que nos podem “tramar” um dia.

um exemplo diferente de detalhe errado, foi a publicação no meu blog e no face, da receita da caldeirada de enguias à murtoseira. para a ilustrar servi-me de uma foto tirada a uma caldeirada, feita nas margens da ria por um pescador da torreira, que as tinha apanhado à chincha com uns amigos. por azar a caldeirada feita por ele e, segundo me disse, já ganhadora de prémios, levava pimentos, que apareciam na fotografia. ao publicar o artigo, com a receita correcta, herdada dos meus tios avós, não reparei neste detalhe, mas houve logo, peritos em culinária que reclamaram, e bem, do facto de a receita da caldeirada à murtoseira não levar pimentos e eles aparecerem na fotografia. é assim, um pequeno detalhe e …. a fotografia está lá a eternizar o erro ou a correcção. (ver publicação : https://ahcravo.com/2013/02/25/caldeirada-de-enguias-a-murtoseira/)

dir-vos-ia ainda que em fotografia, como em história, só vê bem ao longe, quem vê bem ao perto.

posto isto, era exactamente das pequenas coisas que eu queria falar, para quase acabar esta série de crónicas sobre a regata da ria 2016.

do que vi e ouvi:

o kite surf esteve lá mas incomodou pouco

o kite surf durou pouco e não perturbou

o “Manuel Vieira” foi um dos dois barcos pintados de novo e não teve prémio de pintura

a câmara cedeu uma pequena carrinha para trazer de aveiro os moliceiros que não tinham transporte (mas, azar dos diabos, tinha aquele símbolo de transporte de deficientes)

os kite surfistas tiveram direito a uma camioneta das grandes

são tudo sinais que podem ser pequenos, mas que deixam marca.

o kite entrou na regata de mansinho, mas entrou. e de futuro como será? não vos preocupa? é um desporto radical que pode trazer muita gente à ria, é bem vindo mas …. “a cena é outra”.

porque é que no cartaz da regata da ria o kite surf aparece com letra pequena e na página do município da murtosa, não é destacado como a regata? será estranho, ou letras pequenas no cartaz bastavam?

o júri dos painéis, como foi salientado pelo presidente da câmara de aveiro, não percebia nada de pinturas, não eram artistas, eram autarcas. tudo bem. mas deviam saber quais os eram os barcos que foram pintados de novo e qual era o espírito que levou a que se fizesse a regata da ria: “pintar os painéis”. será que o ti manel valas que pintou de novo os painéis do barco e não recebeu prémio, ficou com vontade de voltar a repetir o investimento?

no meio disto tudo até dou de barato algumas das notas que fiz acima, a regata correu bem, toda a gente gostou, eu fiquei a conhecer melhor alguns “amigos”, gostei que amigos virtuais se tornassem reais e de ver muita gente a fotografar a regata.

para o ano, se cá estiver, espero que muito do que disse até este quase ponto final, seja dito por outros, por gente da terra e que aqui vive, não seja sequer necessário ou que tudo vá bem no reino da dinamarca.

marcou-me nestes dias uma frase: EU DOU-ME BEM COM ELES PORQUE FAÇO TUDO O QUE ELES MANDAM

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