os moliceiros têm vela (180)


faz falta um canil na terra

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quando todos ajudam

não me peçam
palavras doces
calma silêncio

não sei quantos
sou comigo
sinto que muitos

deixam-me falar
para me matarem
pela calada

esquecem-se
de que não é a mim
que matam

é à memória de um povo
que dizem seu
a que pertencem e os escolheu

faz falta um canil na terra

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os HOMENS da terra são desta fibra

(murtosa; regata do bico; 2007)

os moliceiros têm vela (179)


o caminho é em frente

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aproveitar o vento

saber onde o laço
o  nó
as mãos dadas mais

lembrar o ontem
na escolha de hoje

limpar a courela de ervas
semear

tempo de fazer a rede
confiar no fio
na arte dos dedos ágeis

dar as mãos pelo futuro
saber escolher

amanhã não me posso
arrepender

crescemos porque damos
não porque recebemos

sopram ventos de mudança
partamos com eles

o caminho é em frente
sempre foi

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é esta a nossa gente

(murtosa; regata do bico; 2006)

os moliceiros têm vela (177)


homens da ria

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eles podem ser o futuro, assim os deixem e apoiem

há moliceiros na ria
porque de paixão
estes rostos cheios

retesados corpos
na ânsia da vela
mais alto o mastro

voga o sonho
dentro deles

num amanhã
onde não estarei
serão eles os mestres
senhores dos ventos

homens da ria

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zé pedro miranda, joão magina e rui rodrigues (russo)

(murtosa; regata do bico; 2014)

os moliceiros têm vela (176)


um dia eu também

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o “doroteia verónica” era assim

regressarei sempre
ao corpo
ao meu corpo ainda

esta coisa onde me
penduro
estendal de saberes

palavras sentires
por haver já
não muito para

uma folha caiu
levantou voo
ligeira uma ave

um dia eu também

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um moliceiro é assim

(torreira; regata do s. paio; 2010)

regata moliceiros, s.paio 2015 – o vídeo


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8 de setembro é o dia de s. paio, padroeiro da torreira.

durante uma semana, uma das maiores romarias do país decorre na torreira, com a rua principal cheia de tendas as mais variadas, o parque de campismo cheio e tendas de campismo em terrenos cedidos por particulares.

gente, gente, gente…..

no mar as noites são de festa com todos os bares a funcionar em pleno e espectáculos na praia.

na ria, no fim de semana, sábado e domingo, decorrem 3 regatas:

– chinchorros (a remos)

– bateiras à vela

– moliceiros

o passeio da ria e o “cais do guedes” enchem-se de gente vinda de todo o país. a festa dos barcos é a grande festa desta terra de pescadores.

uma câmara de filmar, na bica da proa do “zé rito”, registou toda a regata e, mais do que isso, toda a actividade dentro do moliceiro que, em 2015, a venceu.

tripulação do moliceiro “zé rito” : mestre zé rito, manuel silva vieira e alfredo miranda

é mais uma memória de um tempo e uma homenagem aos homens que ainda têm a paixão da tradição do moliceiro e, por ele, sacrificam tempo de lazer e despendem as suas economias.

AOS MOLICEIROS, HOMENS E BARCOS!!!!!!!!!!!!!!!!!

o bota-abaixo do “marco silva”


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os filhos do arrais marco silva, sérgio e ricardo

no dia 20 de junho de 2015, foi deitado à ria o moliceiro “Marco Silva”.

começado a construir em março pelo arrais marco silva e pelo mestre firmino tavares, com a ajuda dos filhos e amigos, o arrais marco silva voltava a ter um moliceiro.

depois da venda, há uns anos, do “Ricardo e Sérgio”, por não ter condições para a sua manutenção, o arrais voltava à ria com barco novo.

sem quaisquer apoios institucionais, como é costume em nome do défice, mas com muita “paixão” e solidariedade de todos, conseguiu.

deste momento importante da vida de ambos, homens e barco, não consegui registar o instante mais significativo do bota-abaixo: o baptismo e o deslizar pela rampa, tal era a aglomeração de gentes e repórteres e…. não menos importante, os meus parcos 1,65 metros de altura.

o bota-abaixo foi feito na marina de recreio da torreira, propriedade da associação naval da torreira, e o barco deslizou tão bem e reconheceu tão depressa a ria, que o arrais marco teve de nadar para ir ter com ele e assumir o lugar que lhe competia.

depois, o “Marco Silva” levou a bordo a companha de xávega do arrais marco, que esteve presente em todos os momentos do bota-abaixo, e alguns amigos.

de realçar o papel dos filhos sérgio e ricardo em todos os momentos da construção, aproveitando férias e fins de semana. se os barcos do arrais marco silva, têm os nomes dos seus familiares, verdade seja dita que sempre os tem a seu lado quando é preciso.

aqui fica o testemunho da realização de um sonho, do regresso do mestre firmino tavares à arte de construção naval, da força de uma família e da unidade de uma companha.

é esta a ria das solidariedades e dos HOMENS

 

os moliceiros têm vela (173)


UM BOM ANO DE 2016

sobreviver

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o moliceiro “dos netos” do ti abílio carteirista

de velas pandas os dias
seguiram o seu caminho
barcos ante nossos olhos

espanto de ainda por cá
resistir teimoso à chamada
espantoso o ser ainda

um moliceiro voga na ria
quero deixar-vos um ror deles
a encher-vos os olhos

nada mais vos peço que
sonheis com muita força
só assim os moliceiros hão-de

sobreviver

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a bandeira da pátria dos moliceiros

(murtosa; regata do bico; 2007)