crónicas da xávega (308)

crónicas da xávega (308)


o poema
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torreira; o recolher do saco; 2016 – irá a zorro na zorra para ser seco

 
se fossem música
estas palavras
seriam poema
 
é do poeta escrever
música com palavras
 
diz o que lês
como o sentes
ouve-te
 
porque é para ser dito
que foi escrito
como se música outra
 
ou
não é ainda o poema
 

postais do arroz (7)


digo-te
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borda do campo; rio pranto; corrida das barcas; 2019

digo-te que existo
mais nos espaços em branco
onde me escondo
que neste juntar de palavras
em que pretensamente
me vou dizendo
na corrida sôfrega dos dias
gasto-me de tanto sentir
nada mais
te posso oferecer

postais da ria (303)


outro eu
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todos os dias
perco memória
todos os dias
me reaprendo
 
palavra a palavra
recupero do silêncio
as memórias idas
 
e o ter esquecido
é um outro eu
o eu aqui agora
 
como se outra casa
outra porta
para outro mundo
 
(torreira; safar redes; 2018)

postais do arroz (3)


do incerto
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semear com saco e apoio de barca

não esperes colher
o que semeaste
colherás mais
colherás menos também
ou nada até se
semearás sem pensar
na colheita
dando o teu melhor
de ti dependes apenas
tu e o seres
sê pois o melhor
semeador
que a colheita seja
o que tiver de ser
é de sua natureza
ouviste falar do incerto
agora conhece-lo
(vinha da rainha; maio; 2019)