o primeiro do lanço do M. Fátima


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construído pelo arrais marco silva, na torreira, o M. Fátima fez o seu primeiro lanço no dia 11 de junho de 2016.

desses momentos, aguardados com ansiedade por familiares e amigos, fica aqui o testemunho para memória futura.

se já há 10 anos que é arrais, marco silva é também mestre construtor naval, com um moliceiro, um barco de mar, uma bateira mercantela e várias bateiras caçadeiras por si construídas.

ao novo barco, a este homem de sete ofícios e a todos os seus familiares e companha, desejo muitas e boas safras. possa eu assistir ainda a bastantes.

felicidades arrais/mestre marco silva

 

crónicas da xávega (169)


hoje sou puto

(para o meu amigo ricardo)

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o ricardo, o sílvio e ao fundo a aurora e a cacilda

continuo a chamar-te puto
e já és maior que eu
mas eu também envelheci
não é puto?

o barco é novo mas nós
conhecemo-nos
no primeiro M. Fátima
e cá estamos

tu feito um homem de mar
eu com a minha máquina
a salgar imagens na memória

olha ricardo
quando digo “puto”
também eu
continuo a pensar
que não envelheci

já lá vão onze anos
puto
onze anos e foi ontem

mas hoje
hoje sou como tu

hoje sou puto

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o ricardo e o calão

(torreira; companha do marco; 2016)

cróicas da xávega (168)


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haja mar! temos barco

11 de junho de 2016
o novo M. Fátima
foi pela primeira vez ao mar

longa vida ao barco
sejam fartas as safras
unida a companha

força arrais marco silva
mestre construtor de barcos
e de dias melhores

parabéns
a todos familiares
que neste dia

disseram: presente!

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um barco que parece voar

(torreira; companha do marco; 2016)

crónicas da xávega (167)


o mar tarda

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a albina e a aurora aos bordões da mão de barca

o mar tarda este ano
tarda o peixe no saco
tarda o pão na boca

que inverno
depois deste verão
que nunca?

olho-as e penso
mulheres do mar da torreira
que mar é este?

por dentro de mim
corre uma tristeza por tudo
e não há nortada
que limpe o nevoeiro
que carrego

vivo de algumas memórias
outras me matam devagar

o mar tarda e eu

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(torreira; companha do marco; 2013)

crónicas da xávega (165)


hoje estou vivo

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eh! gente do mar. voltei!

estou de regresso
ao mar à ria
a uma certa forma
líquida
de ter casa onde
navegam
amigos muitos

sorrio
porque ainda
ainda estou cá

os dias bebo-os todos
como se os últimos
porque se não repetem

estou vivo, caramba

hoje estou vivo

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estou de volta, ti horácio!

(torreira; companha do marco; 2014)

 

crónicas da xávega (163)


hoje sou memória

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o M. Fátima

pesam em mim gerações
que desconheço

enterrados na memória
comum de um povo
os meus maiores

entre mim e eles o ser eu
a continuação
existo por que existiram
isso lhes devo

quisera soubessem que
os lembro
porque continuam em mim

hoje sou memória

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na areia um barco só pode morrer ou descansar

(praia da torreira; 2013)

crónicas da xávega (162)


quero ser barco

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estátua nome de rua
jardim praça medalha
não as quero
sequer as mereço

nada fica
de quem a tudo se deu

se me disserem de pedra
acreditem
tudo o que de mim digam
é verdade ou foi

estou cansado velho
gasto desconjuntado

no tempo que me falta
quero ser barco

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(torreira; coampanha do marco; 2014)

crónicas da xávega (161)


o arribar

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depois de presos os ganchos nos arganéis da proa – arribar de proa – é preciso correr para fugir ao perigo, não só porque pode haver um movimento lateral do barco, mas também porque o tractor começa de imediato a puxá-lo para terra.

é um momento perigoso para todos.

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(torreira; companha do marco; 2013)