
pudessem as mãos
chorar
seriam delas as lágrimas
também

pudessem as mãos
chorar
seriam delas as lágrimas
também
notas de um retirante

o jorge carriço a relembrar velhos tempos
o último ano em que, na torreira, se fez alagem com bois, foi em 2001. (confirme-se com o joão da calada)
a companha era a do joão da calada e o barco, o óscar miguel.
entre os bois e os tractores, penso que houve um período curto em que se fez alagem a tirante. tire-se isto a limpo.
em 2013, ano de eleições autárquicas, pela primeira vez a câmara da murtosa fez uma recriação da xávega.
para o ano há de novo eleições, porque não, pelo menos de 4 em 4 anos, fazer uma recriação?
(torreira; setembro, 2013)
desabafo

mãos de fazer, mãos de dar, mãos de ser
melhor não escrever nada
estou engasgado de sentir
as palavras come-as
o tanto
tenho para mim
que o que fiz
sempre que o fiz
foi por bem
mesmo se errei
ao fazê-lo
por isso
me dói
calo calco
não mereço
não mereço
não mereço
escrevi
reparos de um retirante
“Breve História do Concelho da Murtosa”, autor “Marco Pereira”
(algumas notas breves, precedidas de um sublinhado)

em qualquer publicação é tão importante a citação como a omissão.
isto dito, e sem retirar valor, nem importância à obra citada, queria deixar 3 notas breves para os desenvolvimentos temáticos futuros:
moliceiros: ainda há moliceiros na ria. é importante fazer a história das regatas e sua importância na dinamização turística temática e preservação do património, único no mundo. os moliceiros tradicionais e os passeios na ria.
companhas: ainda existem companhas activas na torreira. importante referir as que estão em laboração, as que ao longo do século xx trabalharam e as alterações sofridas nos métodos de trabalho: dos bois aos tractores, dos remos aos motores, por exemplo. parece-me importante que seja referido o seu papel na atracção turística temática.
literatura: não consta o nome do dr. Raul Vaz, entre os escritores listados. penso que, enquanto murtoseiro e pela obra produzida, merece lugar de relevo entre os nomeados.

(foto de 2014)
como se o tempo
esfarelado
por entre os dedos

(torreira)
o meu amigo ricardo

no reçoeiro, o esforço quando a manga chega e é urgente trazer o saco para terra, a máquina não basta.o homem sempre
14 anos de idade, 11 anos depois de o ter conhecido.
o homem e a máquina, a máquina do homem, do tempo, do esforço, do crescer assim rente ao mar, com o mar nos olhos a invadir o sangue.
o puto que já foi, no homem que é puto ainda, para mim
(torreira; 2016)
no reçoeiro, o esforço quando a manga chega e é urgente trazer o saco para terra, a máquina não chega.

por entre as mãos
correm rios tristes
e são de mar
(torreira; 2016)
o meu amigo agostinho canhoto

(torreira; 2016)
mãos de dar

não
não me arrependo
de serem de dar as mãos
que me deram
nos cotos
dos braços que me levaram
outras mãos nasceram
para continuarem a dar
haverá amargura
por dentro dos dias agora
mas brilha nos olhos
o sol de sempre
o tempo
que nunca caberá nas mãos
é oferta impossível
usaram-no mal

(torreira; 2016)
nada é

não há máximas
que me tirem daqui
era o mínimo
que o ouviam dizer
calou-o a realidade
ignorada
o homem o trouxe
e o levou
o tempo calará
o mais

(torreira; 2016)