
do livro “A solidão é como o vento”, concebi três leituras, esta é a terceira e última

do livro “A solidão é como o vento”, concebi três leituras, esta é a terceira e última
2005 ano um

em 2005 aparece na praia da torreira um barco “novo”. o m. fátima de marco silva, regressado do luxemburgo.
o barco pertencera ao arrais bolacha e chamava-se sra da aparecida.
faz-se ao mar com alfredo brandão (pirolito) como arrais de mar e o apoio em terra do experiente antónio trabalhito (barbeiro), entretanto falecido.
de costas, agarrado ao vertente, o estrela – que também já partiu para outro mares, mais distantes.
2020 ano a zero

em 2005 começou a minha aventura na fotografia digital.
não sou “de fotografar tudo”, tenho os meus temas, sempre os tive. de entre eles o retrato e a xávega começaram por se destacar na era digital, sem quaisquer pretensões.
desde 2005, ano após ano, fotografei a xávega em várias praias da nossa costa. andei por aí.
2020 é o primeiro ano em que não faço uma única foto de xávega, uma única. causas várias em que o covid também tem a sua importância.
neste registo de 2005, fica a memória de um barco: o s. pedro. era propriedade do arrais manuel dias da torreira (é ele que está na bica da ré). anos mais tarde foi comprado pelo arrais zé murta (falecido) que, depois de reparação foi rebaptizado com o nome de “olá s. pedro”.
viria depois a ser vendido para a praia de pedrógão.
a fotografia permite estas viagens.
arrumar o sal no armazém

o silêncio é uma vela

começas a escrever os dias a repetir a palavra ontem cada dia mais vazia de vida mais cheia de memória em ti habitam os que partiram em ti se demoram no sobrevoar da ria tão deles olhas como te ensinaram e lembras os nomes os rostos ainda ouves as vozes o silêncio é um barco e tu a vela que o tempo enche

no livro “OS DIAS COMUNS”, helder pacheco comenta fotografias de emídio carvalho rebelo. a beleza dos comentários convidou-me à leitura de alguns, estes serão os primeiros
Recriação da safra à moda antiga” – foto 14

giga cheia à cabeça, cinquenta quilos quase, elas caminham com o porte das grandes senhoras que ao vê-las as invejam

do livro “HÁ TÉNUES SINAIS DE CRISTAL NOS ESPELHOS”
era uma vez

na bica da proa o sonho navegou ria fora velas enfunadas brancas sempre brancas poiso de palavras de desejos branca a espuma à ré marca de nada mais também eu

“Recriação da safra à moda antiga” – foto 13
do monte para os punhos o sal enche a giga
