regata da ria 2017, resultados, prémios e algumas contas de espantar


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o A. Rendeiro já claramente em 1º lugar

Participantes

Barcos moliceiros classe A – tamanho tradicional

A. Rendeiro
Marco Silva
Um Sonho
Zé Rito
O Amador
Bulhas
S. Salvador
Dos Netos
Câmara Municipal da Murtosa

Barcos moliceiros classe B – mais pequenos

Ecomoliceiro
Sermar

(ao todo 11 barcos)

Classificação e prémios de regata

Classe A

1º – A. Rendeiro – 150 euros
2º – Marco Silva – 100 euros
3º- Um Sonho – 50 euros

Classe B

1º – Ecomoliceiro – 150 euros
2º – Sermar – 100 euros

Classificação e prémios de painéis ( só classe A)

1º – A. Rendeiro – 300 euros
2º – Marco Silva – 250 euros
3º- Bulhas – 200 euros
4º – Zé Rito – 150 euros
5º – O Amador – 100 euros

Algumas contas

Prémio de participação : 700 euros ( 9 classe A). Total 6.300 euros
Prémio de participação : 600 euros (2 classe B). Total 1.200 euros
Prémios de classificação: 300 euros ( classe A) ; 250 euros (classe B)
Prémio de painéis : 1.000 euros

Total do valor entregue aos moliceiros: 6.300+1.200+300+250+1.000 = 9.050 euros

E, agora, pensemos um pouco

Nos últimos anos a transferência da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro – para a comissão organizadora da regata da ria – tem sido de cerca de 17.000 euros, e este ano terá sido, pelo menos, o mesmo.

A questão em que eu gostava que meditassem é:

11 MOLICEIROS PARTICIPARAM NA REGATA E RECEBERAM 9.050 EUROS.

PARA ONDE FOI O RESTANTE??????????????

A BRINCAR, A BRINCAR PODEMOS ESTAR A FALAR DE CERCA DE 8.000 EUROS

Assim sendo, apetece perguntar

QUEM GANHA COM A REGATA DA RIA?

OS MOLICEIROS NÃO, DE CERTEZA!

SERÁ QUE NINGUÉM MOSTRA AS CONTAS?

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os 3 primeiros na recta final da regata

ao moliceiro desconhecido


” – ti zé, quando é que podemos gravar ?
– oh cravo, agora estou sozinho, mas pode ser segunda-feira pelas 6 da tarde”

foi assim e na segunda-feira, dia 12 de junho de 2017, nos juntámos na cozinha do ti zé rebeço e fizemos a gravação a que assistiram..

houve estórias para além de haver bateria que a memória é rara, as vivências muitas e o homem enorme.

memória de um tempo, de uma geração, de uma ria que já não volta mas importa celebrar e, porque não, reviver.

obrigado ti zé, há momentos em que vale a pena estar vivo, estes foram momentos em que valeu a pena.

 

 

(depois de ouvir a história de vida do ti zé rebeço)

 

 

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eis o homem
sejam nele todos quantos
antes muito antes
araram e ceifaram a ria

límpidas e puras as palavras
como então as águas
que sulcavam a bordo dos seus barcos

homens sem nome sem rosto
moliceiros desconhecidos
a quem a terra que adubaram
que a tantos deu de comer
ainda lembra mas não recorda

ao moliceiro desconhecido
na terra que o viu nascer
tudo mas tudo lhe é devido

tarda a hora de o fazer

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(o ti zé rebeço revive a descarga com moliço, no cais do bico)

 

aos que morreram pela mão do fogo (1)


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hoje é o primeiro dia
de luto

façamos dele
mais um dia de luta

pelo planeta
pelos povos
contra a estupidez cega
do lucro desenfreado

pelo cumprimento
do acordo de paris

hoje é o primeiro dia
de luto
mas não me basta que o seja
quero mais

hei-de querer sempre mais
um dia de luta

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(regata da ria, 2010)

os moliceiros têm vela (265)


aos que morreram pela mão do fogo

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aos que morreram pela mão do fogo
e foi atroz a sua morte
nada os trará de volta

mas que fique claro
que nada acontece só
por vontade da natureza

há mão do homem
a forçar o evitável

quando se lembrarem deles
lembrem-se do acordo de paris
da urgência de o cumprir

aos mortos
nada os trará de volta
aos vivos
que lhes sirva de lição

isto anda tudo ligado
escreveu o poeta há muito
mas podia escrevê-lo hoje

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(regata da ria; 2009)

os moliceiros tradicionais fazem passeios tradicionais


uma das formas de sobrevivência dos moliceiros tradicionais é a realização de passeios na ria de aveiro.

na RIA, não nos canais de aveiro.

a motor, por uma questão de segurança, mas com mastro e vela enrolada, conhecer a ria pela boca de quem a conhece é a proposta.

neste registo o percurso foi entre a torreira e o cais do bico, mas muitas e diversas são as propostas de percurso.

passear num moliceiro tradicional é um prazer e uma forma de apoiar a sua continuação.

OS MOLICEIROS TRADICIONAIS FAZEM PASSEIOS TRADICIONAIS

APOIA A TRADIÇÃO E DESFRUTA DE UM PASSEIO NA RIA DE AVEIRO

 

os moliceiros têm vela (264)


cuidado com os crocodilos

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sábado 1 de julho
dentro de duas semanas
por esta hora
estaremos na ria
seremos de novo os cisnes
renascidos

aos que abatidos foram
a memória trá-los de volta
e honra-os
aos que mutilados
andam pelos canais de aveiro
a memória trá-los de volta
belos e inteiros

aos homens que continuam
por amor e com amor a tudo fazer
para que os moliceiros não morram
a memória dirá deles que heróis foram

0 ahcravo__DSC_6384 regata moliceiros

um dia
porque poderá haver um dia
haverá nos olhos de alguns
lágrimas de crocodilo

fica para esses um aviso

não se aproximem da ria
porque podem
aparecer crocodilos a sério

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(regata da ria; 2009)

os moliceiros têm vela (262)


há eleições? repara-se o moliceiro!

“notícia é quando um homem morde num cão, e não o contrário”

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o moliceiro da câmara da murtosa com duas velas

haverá alguns dias aparecia na página do facebook do município da murtosa, uma publicação com o seguinte título “BARCO MOLICEIRO DA CÂMARA DA MURTOSA EM MANUTENÇÃO NO ESTALEIRO DA PRAIA DO MONTE BRANCO” -https://www.facebook.com/municipiodamurtosa/posts/1349085255169813:0. amigos houve que partilharam esta publicação como se de algo extraordinário fosse …

e não é que é mesmo! é que não se percebe porque é que aquilo que todos os moliceiros resistentes fazem nesta época do ano, reparação e manutenção – aproximam-se as regatas –, há-de ser notícia? será por ser o moliceiro da câmara municipal? só se for.

no entanto é capaz de ser mesmo notícia relevante, será que não houve reparações desde 2013? se houve, desculpem mas não dei por ela, nem foi objecto de qualquer publicação na mesma página….

(um amigo segreda-me: você fala porque não vive cá…..)

recordo agora que em 2013 fiz no meu blog, e no facebook, uma publicação sobre uma situação análoga, então com publicação em jornal – ainda não havia página no facebook. vejam o que se passava, leiam:

Murtosa: Moliceiro da Autarquia alvo de manutenção

coincidências! 2013 e 2017 são anos de eleições autárquicas. não é que na murtosa esteja em causa a mudança de executivo, mas sempre são eleições e eu, neste caso e a bem do moliceiro municipal, começo a pensar que devia de haver eleições todos os anos.

lembro-me de em 2012 não ter havido regata da ria por falta de fundos, de se ter feito uma manifestação, da torreira a aveiro, com alguns moliceiros, de caras tapadas com plástico preto, bandeira preta e um cartaz a dizer “NÃO MATEM OS MOLICEIROS”.

em 2013 fez-se a regata e o candidato à câmara de aveiro, ribau esteves, até veio à torreira dar a partida. coincidência?

(o amigo insiste: você fala porque não vive cá…..)

quanto a outros parágrafos da publicação, que davam pano para mangas, quero só tocar no que mais me interessa, o apoio aos donos dos moliceiros resistentes. escreve-se, e transcrevo, “ No último ano, os prémios atribuídos pela autarquia ascenderam, na globalidade, a mais de 10.000 euros”. tanto dinheiro! quanto é que dá por barco? chega para garantir os custos de reparação e pintura, sem falar já nos de manutenção? (nunca menos de 1.500 euros, pelo que me dizem) mas o valor desta reparação e pintura do moliceiro municipal deve servir de indicador e ajudar a ver quanto custa.

(algures em pardelhas há um homem que deixa a porta e, no sossego do escritório, começa escrever: este turista que vem de coimbra tirar umas fotos a correr pela praia …)

encontramo-nos na primeira regata, a da ria.

(nota: no que diz respeito ao museu estaleiro do monte branco – é assim que é designado na página da autarquia – já me pronunciei em tempo sobre ele https://ahcravo.com/2015/01/31/cada-cavadela-cada-minhoca/)

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e terminará em quarto lugar

(regata da ria; 2014)