
rer

rer
auto-retrato (2)

o licínio a rer, foi um verão de sal
aceito o instante
como se todo o tempo
como certo nada tenho
senão a dúvida em mim
(armazéns de lavos; rer; 2017)
da mão

flor de sal
a que dá
a que tira
a que ignora
a que acaricia
a que fere
a que mata
qual a tua?
(armazéns de lavos; 2017)
vivo de

achegar
se me vires a sorrir
quando caminho
é porque há um outro
dentro de mim
jovem ainda cheio de
tudo por fazer
vou com ele por aí
vivo de sonhar-me
(morraceira; achegar; 2016)
sobram palavras
hoje
guardo as palavras
para outro dia
chove em junho
o sol tarda
com ele o sal
não sei
quando o verei tirar
mau vai o ano
para quem dele vive
sobram palavras
onde o sal falta

(morraceira; tirar; 2016)
sagradas as palavras
digo das palavras
o sal do sentir
de emoção umas
da razão outras
falam de ti
as tuas palavras
recolho-as no meu dia
onde entraste
porque te convidei
recebo-te nesta casa
onde existir é ser
um copo de água
que o sol queima
acolho-me à sombra
do dizer
sagradas as palavras
onde és

achegar
(armazéns de lavos; achegar; 2017)
meditação
tenho inteligência
suficiente
para admirar
a dos outros
no trabalho do homem
no sal do mar
encho-me de mim

o meu amigo paulo formiga a “cumbeirar”
(armazéns de lavos; cumbeirar; 2017)
meditação
não tentes
entender tudo
procura entender-te

(armazéns de lavos; mexer; 2017)
pois
antes de haver ponte
havia o rio e nadei
de todos os caminhos
fiz o meu
de todas as escolhas
fiz as minhas
fizeram-me para que
fizesse
mesmo sem o saberem
como sempre
fiz faço farei

o meu amigo buíça
(armazéns de lavos; achegar; 2017)
eu abri as portas da gaiola
(….eles passarão
eu passarinho
“mário quintana”)
não sei de bancadas
nem de lugar à sombra
gosto de sol e mar
e da força da vagas
ficou vazia a cadeira
que me guardaram
recuso o caminho palavroso
onde não nasceram gestos
cantam de poleiro
aves de arribação
eu abri as portas da gaiola
para voar
é tarde para me cortarem
as asas

o meu amigo paulo formiga
(armazéns de lavos; mexer; 2016)