memória_01042011


lurdes catelhana (canhoto)
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todos os dias, de acordo com as instruções do arrais chico giesteira (chico de ovar), a companha faz as viagens de ida e volta: furadouro-torreira.
instalam-se ao sul do molhe sul, onde têm tudo o que é necessário para passar o dia: uma caixa térmica de uma carrinha, que serve de dispensa, um coberto que abriga uma mesa e equipamento de cozinha.
um depósito industrial de gasóleo para abastecer tractores e motores.
da companha fazem parte duas mulheres, que ajudam na escolha do peixe e cozinham para toda a companha. a organização imposta pelo arrais e voluntariamente aceite por todos, é a melhor que até hoje vi.
se há ainda lobos do mar, o chico é certamente um deles.
(companha do pepolim – do furadouro a trabalhar na praia da torreira; 2006)
os moliceiros têm vela (394)

os moliceiros têm vela (394)


porque sim
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torreira; regata do s. paio 2010

as palavras
planto-as algures
no canto mais luminoso
do jardim que tenho
o fundo do bolso
hoje não é dia de abrir
janelas
nem de as deixar voar
quero-as todas
para mim
e ficar assim
em silêncio
a pensar
tão somente
porque sim
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torreira; regata do s. paio 2010

 

 

 

memória_quando o mar trabalha_22032011


ser barco
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barco sr.ª da aparecida; à proa o arrais bolacha;torreira; anos 90

 
quantos o sonham
caminhar por sobre o mar
descobrir outras liberdades
inventar novos caminhos
 
como se voasse
pensam
o horizonte por limite
as ondas cócegas nos pés
andar assim sem rumo nem destino
 
ser barco
 
partir soltar amarras
cordas prisões grilhetas
convenções
 
e o regresso ?
há sempre terra no fim do mar