o tempo passa
não a imagem onde já
nada mais que um nome
reconheço-o
basta-me olhar
virado ao mar
sempre
espera
esperou sempre
e sorriu
sorriu muito
na espuma das ondas
há um sorriso seu
ainda a boiar
lava-me as mãos sujas
da cidade
com a limpidez
do pescador
que já foi
é assim
o tempo de ter sido
no ser hoje ainda
(torreira, 2009)
são rosas
mãezinha
as nossas
ainda em botão
vermelhas
como tu gostas
como nós gostamos
sempre em botão
nós para ti
com alguns espinhos
que tu amorosamente
perdoas
são rosas
mãezinha
os teus filhos
os teus netos
as tuas bisnetas
são rosas mãezinha
não de estufa
como as rosas
que todos os anos
sempre que é data
em ramo florido
te ofereço
são tu
para além de ti
as tuas rosas
mãezinha
saudades do sul
das searas
e das mãos que trabalham
o barro
saudades do sul
e do roxo das uvas
brancas nos cachos
saudades do sul
e do pão
do sabor do chouriço
pendurado na fatia grande
do pão para todos
saudades do sul
em chegando ao barreiro…
que agora fica não atrás
mas à frente
porque
ao contrário da canção
agora o tejo vai ser atravessado
e o além-tejo mais próximo
saudades do sul
que acabam