A procissão fluvial de Constância em honra de Nossa Senhora da Boa Viagem


 

Revisitámos Constância em 2012, como anualmente se tornou obrigatório, por altura das festas religiosas em honra de Nossa Senhora da Boa Viagem.

Para além da notoriedade da sua tradicional festa religiosa, que todos os anos ocorre na segunda-feira de Páscoa, a singularidade de Constância é a envolvente do seu contexto natural e cultural, bem como a imagem que projeta a nível nacional e internacional – ligada a Camões, em especial -, à doçaria que remete para o Céu, nos seus doces queijinhos, e à dinâmica dos seus eventos festivos.

Constância é a Vila Poema e como poema que é tem uma cadência própria, uma musicalidade suave, uma envolvência afetiva. Constância é a emoção e a experiência de mergulhar numa vila histórica com uma história que se mantém viva. Pela Páscoa enche-se de flores de papel, perfuma-se com rosmaninho e alecrim e adorna-se de colchas nas janelas, em dia de procissão.

Desse ambiente vos damos conta nesta Folha, da autoria de Ana Paula Pinto e Carlos Vitorino, a quem tributamos o nosso sincero agradecimento.

 

Gabinete de Coordenação

(Candidatura da cultura Avieira a património imaterial nacional e da Unesco)

Cultura Avieira – Um património, uma identidade

 

FOLHA INFORMATIVA_Nº23-2012_A procissão fluvial de Constância em honra de Nossa Senhora da Boa Viagem

há moliceiros na ria


 

há moliceiros na ria

 

portugal

ainda há moliceiros na ria

 

portugal

há homens que te amam

mais que a si mesmos

 

portugal

a dignidade de um homem

é mais forte que a força do dinheiro

 

portugal

ainda há homens aqui

homens que nada devem

e que tudo dão por ti

 

portugal

há portugueses

aqui

num recanto

chamado ria de aveiro

 

portugal

ainda há moliceiros na ria

homens e barcos

barcos e homens

 

portugal

feito assim a navegar

velas ao vento

dizendo-se ao mundo

o ser diferente

 

portugal

são estes os teus filhos

amam-te

o desígnio


conquistar os dias
um a um
vencer-se
para vencer
erguer-se

falo de homens
dos que muitos
a bordo de barcos nasceram
neles foram criados
e homens se fizeram
 
falo de moliceiros
nome dos homens
e dos barcos
que ambos se confundem
na labuta e no tempo
 
conquistar o futuro
sendo no presente
esse o desígnio

(regata da ria; 2011)

o moliceiro é bandeira


à vara ou à vela, são dois dos modos de impulsão mais vulgares do moliceiro
unem-se os homens
dão-se as mãos
fazem-se nós
limpa-se a sombra
renasce-se

o moliceiro
é bandeira
amor paixão
modo de vida foi
de memórias pleno
mais que eles
é todos os que antes o foram

uniram-se os homens
cuidem-se os que
ti zé rebeço, um homem da ria, a ria feita homem

regata 2012_os rostos da indignação


abílio carteirista ( antigo moliceiro)

manuel valente
(descendente de moliceiros, e antigo moliceiro)

josé rito
(antigo moliceiro, descendente de moliceiros, actualmente mestre construtor de moliceiros e barcos tradicionais da ria de aveiro)

josé rebeço
(o mais antigo moliceiro da murtosa)

josé manuel oliveira
(descendente de moliceiros, é o único pintor de barcos moliceiros)

 

foram estes os homens que, perante os órgãos de comunicação social, assumiram a indignação dos moliceiros, quando souberam do cancelamento da regata de moliceiros torreira/aveiro 2012

todos os contactos necessários à divulgação do desalento destes homens ficou a dever-se a etelvina almeida, estudiosa e verdadeira amante dos barcos tradicionais da ria de aveiro.

para ela um abraço de todos os puderam exprimir a sua indignação aos meios de comunicação e dar a conhecer a triste realidade com que foram confrontados.

embarcações tradicionais do estuário do tejo


Associação Naval Sarilhense (ANS)


A ANS comemora, em 2012, o seu 25.º Aniversário. São 25 anos de trabalho em prol da preservação e valorização das embarcações tradicionais do Estuário do Tejo e da cultura ribeirinha que lhe está intrínseca.
Para comemorar este 25.º Aniversário, a ANS irá publicar o Livro “Embarcações Tradicionais do Estuário do Tejo: Contributos para a compreensão da sua evolução funcional”, da autoria de André Fernandes e Mário Pinto. Uma publicação que analisa, ao longo de seis capítulos, a importância do papel desempenhado por estas embarcações no transporte fluvial de mercadorias, esboçando ainda uma síntese interpretativa do processo de formulação destas embarcações como construtos culturais, na sequência da sua obsolescência funcional.

Com efeito, tem a Direcção da ANS a honra de convidá-lo(a) para a Sessão de Apresentação desta obra (cujo Convite se junta em Anexo), que terá lugar no dia 14 de Julho (Sábado), pelas 10h30, no Auditório da Biblioteca Municipal Bento de Jesus Caraça (Moita). A entrada na Sessão é Livre.


Mário Pinto
Presidente da Direcção da Associação Naval Sarilhense

moliceiros em extinção_sic_2009


moliceiro em construção no estaleiro velho do mestre zé rito

http://videos.sapo.pt/AbMEzvCvnndZYrtrciyg

daí para cá, de nada serviu este alerta e este ano (2012), a tradicional regata torreira/aveiro foi cancelada.

seria bom apurar as responsabilidades deste cancelamento, uma vez que o orçamento REAL, cerca de 8.000 euros, não é justificação.

será que houve orçamentos surreais? será que houve conhecimento do cancelamento e não comunicação aos moliceiros?

é tempo de verdade

pergunta estúpida?


escuta
ouves o rumor das águas
o quebrar das ondas
no casco
as velas pandas batendo
de tanto vento

o vento sopra do norte
o barco voa
a meta está próxima
chega em primeiro
ganhou a regata
 
depois
depois houve que o vender
os apoios não chegavam
para o manter
 
depois
depois não querem que haja regatas
 
é esta a história
de como os moliceiros
por falta de apoio
vão desaparecendo
 
por vezes pergunto-me
porque é que no brasil em vez
de casas tradicionais portuguesas
não construíram moliceiros

(regata da ria; 2010)